Aos pés dos Arctic Monkeys
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Alex Turner fala muito pouco, quase sempre em monossílabos. Engraçado pensar que ele foi eleito pela publicação musical inglesa ''NME'' como ''o homem mais cool do planeta''. Parece mais uma mistura do ratinho do filme ''Ratatouille'' com o ator brasileiro Kayky Brito. Ainda com muitas espinhas no rosto, muito magrinho, olha os interlocutores com a cabeça meio baixa, ar de espanto com toda a badalação à sua volta.
Tem apenas 21 anos, e sua voz sugere que ainda não trocou completamente de registro vocal, tem aquela estridência típica dos adolescentes quando ameaçam virar homem. Certamente, na escola em Sheffield, ou no primeiro ano de faculdade que ele largou em Barnsley, na Inglaterra, ele seria a última opção das garotas para um namoro.
Mas agora, Alex Turner e seus colegas de banda - o baterista Matt Helders, o baixista Nick O'Malley e o guitarrista Jamie Cook - não dão conta de desviar das meninas que os querem. Eles são os Arctic Monkeys, e estão no topo do rock - ganharam o Mercury Prize, três Brits Awards, e fizeram o mundo com apenas dois discos, o primeiro um fenômeno incendiário na internet, o álbum ''Whatever People Say I Am, That's What I'm Not''.
A Inglaterra vive uma monekymania: como compositor, Turner chegou a ser comparado a Morrissey e Paul Weller. A idade média da banda é de 20 anos. Mas impressiona a desenvoltura com que lidam com a nova situação. Não usam roupas extravagantes - são jeans e camisetas que se acham nos balcões de liquidação de qualquer loja de departamentos.
''Não imaginávamos que tocaríamos para mais gente do que para nossos amigos, em um pub, quando começamos'', disse Alex Turner. Filho único de Penny e David Turner, professores de música e de alemão, ele ganhou sua primeira guitarra em 2001. Este ano, ao completar 21 anos, celebrou em casa - os convidados eram os colegas da banda e os pais, que serviram bolo e chá aos meninos.
''A fama é boa por dar a oportunidade de ir a lugares onde a gente nem imaginava que iria'', diz o hiperativo baterista da banda, Matt Helders. ''Não sei quanto dinheiro ganhamos. Apenas nos divertimos tocando, não temos preocupação com dinheiro e coisas desse tipo'', diz Helders, que conheceu seu parceiro Turner quando tinha apenas 12 anos, na Stocksbridge High School em Sheffield.
O show dos Arctic Monkeys, como os paulistanos verão no dia 28 de outubro, e os curitibanos no dia 31, no TIM Festival, é rock sem frescura, com uma pegada irresistível. Quase não há baladas - uma das poucas é Mardy Bum, do primeiro disco, e não chega a ser exatamente uma baladinha. É uma catarata de hits com uma cozinha perfeita, uma pulsão de baixo e bateria (Turner também não é um guitarrista desprezível) que não deixa os moleques quietos, de ''Fake Tales of San Francisco'' até ''I Bet You Look Good on the Dancefloor''.
O Arctic Monkeys assimilou bem as primeiras lições de fusão com a batida do reggae, que contaminou o rock inglês desde Gang of Four e The Clash, lição que já foi muito bem dedilhadinha pelos Libertines e pelo Babyshambles. ''Ouvi Gang of Four e Clash, mas não massivamente'', diz Turner. Oasis e The Vines, bandas mais contemporâneas, foram muito mais influentes.


