Na dúvida entre sair de casa para ver este ‘‘Dia da Vingança’’ e ficar assistindo ao ‘‘Sai de Baixo’’, não hesite. O humorístico global pode ser muito, mas muito mais interessante. Por exclusão, imagine o que o aguarda no cinema.
O que temos aqui é mais uma incursão serializada ao insípido território ‘‘terror teen’’, na trilha batidíssima de ‘‘Pânico’’ e ‘‘Lenda Urbana’’. O sociopata misterioso de sempre arquitetando uma conspiração assassina como vingança – neste caso um jovem maníaco mais ou menos um herdeiro bastardo da síndrome de ‘‘Carrie, a Estranha’’, o cult de Brian de Palma que lancou Sissy Spacek em 76. O grupo de garotas esnobes que não quis dançar com ele há 13 anos no colégio agora vai pagar caro. Para não fugir à regra a esta altura já esfarrapada, o matador aparece mascarado à moda do Dia de São Valentim – o dia dos namorados nos Estados Unidos, 14 de fevereiro. Esfaqueamentos, tiros, degolas, fervuras : o desfile de violências só termina 90 minutos depois de começado.
O argumento tenta a velha manobra do quebra-cabeça espertinho sobre ‘‘quem-está-matando-quem’’. E as possibilidades, quanto mais, ainda mais desinteressantes. Pode ser que alguém se lembre das duas atrizes principais, Denise Richards e Marley Shelton, mas ninguém vai saber quem são as outras coadjuvantes, aparentemente convocadas antes pelo tórax avantajado do que por qualquer outra coisa – e apesar do detalhe, está nu quando o assassino aparece.
Talvez a única coisa ainda mais estúpida do que o próprio filme seja a assinatura do roteiro a oito mãos. Isto é, quatro ineptos para escrever um roteiro carente do mais elementar e corriqueiro senso de horror (e de humor) , o mínimo exigível num filme do gênero. (C.E.L.J.)

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