Augusto Galante, primeiro repórter fotográfico londrinense, morreu na madrugada de ontem aos 85 anos de idade, deixando um acervo de mais de 100 mil negativos com registros de grande parte da história de Londrina.
Galante era um dos últimos de uma geração de fotógrafos pioneiros londrinenses, como Haruo Ohara, que por hobby ou profissão, construíram em imagens a história da cidade e dos primeiros moradores. O fotógrafo morreu de pneumonia.
Primeiro fotógrafo da Folha de Londrina, Galante também foi um dos fundadores do Fotoclube de Londrina, conquistando prêmios em salões de fotografia no Brasil e em vários países.
''Uma das fotos mais premiadas do meu tio é uma que tirou numa estrada da Reserva Apucaraninha em que aparece um jipe em relação à altura das araucárias. É uma fotografia impressionante'', conta o sobrinho do fotógrafo, José Antônio Morini, que de funcionário do tio passou a comandar o Foto Galante, na Rua Maranhão, estúdio com 60 anos de atividade.
Desde os 12 anos de idade, quando começou a trabalhar no estúdio fotográfico, fundado por Galante em 1948, Morini acompanha a trajetória do tio, especialista em fotografias aéreas.
Ele lembra que a família do pioneiro chegou em Londrina em 1938, vinda de Ibitinga (SP). O primeiro trabalho de Galante foi como charreteiro e em fotografia fez de tudo, desde fotos comerciais, sociais e artísticas.
''O que ele mais gostava de fotografar era a natureza e as coisas da cidade. O Galante foi o primeiro a fazer pintura à mão nas fotos, chegando a ir aos Estados Unidos comprar tinta porque no Brasil não tinha. Uma das fotos mais importantes do meu tio é uma fotografia da barragem do Lago Igapó, em 1959, no dia da inauguração. Todas as personalidades londrinenses, desde a família de Celso Garcia, bispos, prefeitos, empresas que não existem mais, como a Transparaná e Funganti, foram fotografadas por ele'', afirma Morini.
Galante se aposentou aos 60 anos de idade. Nos últimos anos, lamentava a desvalorização da arte fotográfica que acompanha as novas tecnologias.
''O meu tio é um fotógrafo reconhecido não só em Londrina. Porém, os seus registros correm o risco de se perder. Com exceção do Museu Histórico, ninguém tem um acervo fotográfico tão grande. Gostaria que alguma instituição, a universidade ou a prefeitura, se interessasse pela preservação deste acervo'', pede Morini.

mockup