Aos 40, a todo vapor
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terça-feira, 15 de julho de 1997
Márcia Basílio TV Press 
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasEliane Giardini: Na novela existe uma parceria com o autor, coisa que não existe no cinema e no teatroEliane Giardini ainda saboreia o gosto da fama. Além de ser reconhecida nas ruas, a atriz, agora, é escalada para interpretar papéis importantes nas novelas da Globo. Mas nem sempre foi assim. Depois de 20 anos fazendo teatro - tempo que também reservou para constituir uma família - e beirando os 40 anos de idade, Eliane, um dia, decidiu que queria ser famosa. Há três anos, aposentou a dona de casa e o título de mulher de ator famoso para conquistar o público brasileiro. Atualmente interpretando Santinha, em A Indomada, não esquece a importância da personagem Dona Patroa, de Renascer, na virada de sua carreira. Hoje, as pessoas me reconhecem pelo meu trabalho, gaba-se.
Paulista de Sorocaba, Eliane sempre quis ser atriz, mas achava também que esse era o sonho de todas as garotas do interior. Por isso, tratou de arquivar o desejo, seguir com a vidinha que levava e se preparar para casar e ter filhos. Quando estava com 17 anos e já estudando para um vestibular para Filosofia, um tio, que era ator, fez renascer o antigo sonho ao convidá-la para atuar num filme.
Depois disso, veio o inevitável: passou a fazer teatro amador em Sorocaba, onde acabou conhecendo Paulo Betti. Participou de uma peça com ele, através da qual ganharam uma bolsa para estudar Teatro na USP. Formados, mudaram-se para Campinas e montaram o grupo teatral Pessoal do Vítor, título da peça de formatura da turma da faculdade. Betti despontou na carreira e Eliane, além de continuar fazendo teatro, foi realizar outro sonho: criar uma família. Teve duas filhas, Juliana e Mariana, atualmente, com 20 e 16 anos.
Hoje, a atriz afirma que fez a escolha certa. Inclusive diz que, se houvesse tido a oportunidade de prever o futuro, teria aproveitado com mais calma o crescimento da família. Depois das meninas criadas, passou a sobrar mais tempo para ela mesma. Com isso, crescer na carreira passou ser seu objetivo.
Mas Eliane se deu conta disso somente quando estava excursionando numa peça, junto com o marido e com José Mayer. Ela conta que, como não era uma atriz conhecida, a imprensa e o público a deixavam sempre de lado. Nesse momento, percebi que precisava fazer algo marcante na tevê, lembra.
Logo depois desse episódio, foi convidada para fazer a Dona Patroa em Renascer. Na tevê, Eliane já tinha trabalhado em algumas novelas, como O Ninho da Serpente, Os imigrantes e Felicidade, mas com pouca expressão. Na novela de Benedito Ruy Barbosa, a atriz lembra que o papel era pequeno, mas resolveu apostar nele mesmo assim. Era a minha grande chance de dar uma virada, conta.
O raciocínio da atriz estava certo. Embora Eliane achasse que não seria uma tarefa fácil, afinal não era mais nenhuma mocinha, aliou talento e experiência ao desejo. Além disso, o sofrimento e a submissão de Dona Patroa renderam a empatia com o público e Eliane acabou conquistando a popularidade que queria. Se você não está na tevê, é difícil de ser escalada até para teatro ou cinema, reclama.
Mesmo considerando que o teatro é sua grande paixão, Eliane passou a gostar de fazer tevê. Hoje, garante que, fora a possibilidade de projeção, a tevê é um ótimo exercício para o ator. na novela existe uma parceria com o autor, coisa que não existe no cinema e no teatro, analisa. Por isso, acha que contribuiu bastante para que Dona Patroa deixasse de ser a esposa submissa do Coronel Teodoro e se transformasse numa mulher destemida e atraente.
Eliane diz que o autor cria o papel, mas é o ator quem dá o tom de veracidade. Ela explica que, conforme vai se desenrolando a trama e dependendo da atuação do ator, o autor cresce ou reduz o personagem. É um jogo, compara. Com esse mesmo raciocínio, a atriz aposta na grande virada da personagem Santinha de A Indomada, uma mulher viciada em álcool e dependente da irmã. Ela tem dramas a serem trabalhados, analisa.


