AO VIVO Farra, diversão e rock'n'roll
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Se existisse um Guiness Book nacional, o Made in Brazil figuraria nele como a banda de rock com trajetória ininterrupta mais antiga do País. No mês passado, o grupo paulistano festejou 41 anos de carreira. Mas é em torno da data redonda dos 40 anos que Oswaldo Vecchione e seus comparsas ainda são convidados para tocar aqui e ali.
Hoje eles estão em Londrina para se apresentar no Bar Valentino abrindo uma miniturnê pela região que inclui shows amanhã em Ibiporã e sábado em Maringá. Em Londrina, o show começa às 22 horas com abertura da banda local Super 60. Os ingressos custam R$ 10. ''Vamos mostrar músicas de todos os nossos discos, pelo menos 1 tema de cada, além de alguns números inéditos do novo álbum'', anuncia o baixista-líder.
O novo álbum, batizado ''Rock de Verdade'', está previsto para chegar às lojas em novembro. Contará com participação de Marcelo Nova e provavelmente Celso Blues Boy. O trabalho está em fase de mixagem. ''O álbum segue com o estilo da banda incluindo três faixas de hard rock pesado. O restante compõe-se de blues, baladas, rhythm and blues e rock'n'roll tradicional'', diz.
Oswaldo e seu irmão Celso Vecchione (guitarra, baixo e teclados) fundaram o Made em 1967. Começaram tocando covers de ídolos como Chuck Berry, The Animals e Rolling Stones. Depois passaram a compor em português. O álbum de estréia, ''Made in Brazil'', foi lançado em 1974. Em seguida, veio ''Jack, O Estripador'', talvez o mais famoso do grupo.
Atravessaram a década incólumes, não se curvando à voga progressiva, então em alta tanto aqui como no exterior. Com a cartilha do rock de raiz em mãos, continuam desafiando tendências e modismos musicais. Oswaldo conta que o Made enfrentou um entra-e-sai interminável de integrantes nas duas últimas temporadas.
Isso depois de manter a formação intacta durante 10 anos, um período criativo durante o qual gravaram 4 CDs. O último a deixar o grupo foi seu filho baterista, Rick Vecchione, substituído por Caio, ex-Caça Níqueis, banda oficial de encontros de motociclistas em São Paulo. ''Enfrentamos esses problemas com paciência, que é nossa maneira de sobrevivência'', salienta.
O Made atual conta ainda com Fábio Blum (guitarra) e Déborah Carvalho (backings e percussão). Oswaldo recusa o título de ''banda mais antiga'', mas aceita a fama de banda de percurso ininterrupto mais longevo do País. ''O Renato & Seus Blue Caps e Os Incríveis têm mais tempo de estrada. Mas eles já acabaram e voltaram algumas vezes. Nós nunca acabamos'', argumenta.
O músico atribui a persistência da banda à ''ideologia'': ''A gente gosta muito do que faz e só trabalhamos com as pessoas certas. Mesmo com as inúmeras mudanças na formação, que ultrapassa 90 músicos, só convidamos roqueiros e blueseiros para tocar com a gente. Nunca tocamos com quem não tem nosso estilo'', explica.
A ''ideologia'' se traduz também no modo como encaram a vida na estrada: ''Estamos abrindo mão de viajar de avião. Agora pegamos o asfalto com ônibus ou micro-ônibus para poder curtir junto com um violão, já que sempre podem pintar novas músicas na viagem''. Segundo ele, a banda está mudando também a relação com os estúdios de gravação.
''Decidimos não passar mais de 2 ou três anos longe do estúdio. Agora vamos entrar com mais frequência para gravar, nem que for 1 ou duas músicas'', revela. A intenção, segundo ele, é dominar as novas tecnologias digitais para não ficar defasado. Além das atividades ligadas ao novo álbum, Oswaldo está envolvido com a produção de um livro que contará a história da banda.
''Vou narrar 40 histórias de estrada revelando episódios ocorridos em shows, gravações e viagens. A obra vai trazer ainda mini-biografias de cada um dos músicos que passaram pela banda. Estou fazendo o levantamento'', afirma. O Made fez shows memoráveis em Londrina. Chegou a virar notícia policial no começo dos anos 80, depois de um show em que a platéia deixou as poltronas do Cine-Teatro Ouro Verde destruídas.
Após a ocorrência, shows de rock ficaram proibidos no palco da casa. ''Aquele foi um fato triste, isolado. Nunca pregamos qualquer tipo de violência. Sempre tivemos o objetivo de deixar as portas abertas em todos os locais em que nos apresentamos. Naquele dia, o público exagerou'', lembra. Já nos anos 90, a banda faria outra apresentação que deu o que falar, desta vez num inferninho misturando rock'n'roll e shows de strip-tease. Farra é com eles.
SERVIÇO:
- Made in Brazil
Quando - Hoje, 22h
Onde - Bar Valentino (Av. Faria Lima, 486), em Londrina
Quanto - R$ 10
Mais Informações - Tel. (43) 3348-0791
Outros shows
- Sexta-feira às 20h30
Onde - Teatro Pe. José Zanelli (Av. Dom Pedro II, 368), em Ibiporã
Ingressos antecipados a R$ 15 e R$ 7,50 (meia-entrada para aposentados e estudantes). Na hora custarão R$ 20 e R$ 10, respectivamente.
- Sábado às 22h
Onde - A Base Bar (Av. Cerro Azul, 323), em Maringá.


