"Ao Vivo", de Chico Buarque, um grande disco para dar de presente; mas tem muito mais
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Mauro Disa 
São paulo, 16 (AE) - É inevitável: grande disco para dar de presente, neste Natal, é o duplo "Ao Vivo", de Chico Buarque (BMG). Trata-se do registro do espetáculo "As Cidades"
sucesso de público e crítica, o melhor show de Chico - e é complicado falar em melhor show de Chico. Mas não se esgota o capítulo referente ao compositor, pois há ainda, lançado pela Lumiar, o "Songbook Chico Buarque".
São oito CDs, com 119 músicas dele, quase nove horas de maravilhas, interpretadas pela nata da música brasileira, de Nana Caymmi a Sueli Costa, de Dominguinhos (com uma versão magistral de A Banda) ao Mestre Ambrósio, de Zé Renato a Johnny Alf. Todas as gravações foram feitas especialmente para o songbook, que é completado por quatro livros de partituras. Todos os discos e livros são vendidos separadamente.
O melhor disco-solo feminino do ano é "Voadeira" (Eldorado), de Mônica Salmaso. A cantora venceu a edição vocal do Prêmio Visa de MPB. O disco é parte do prêmio. Uma obra-prima no mais rigoroso sentido do termo, expressão de cantora madura, de estilo sóbrio, inconfundível: nada de modismo, apenas grande música. O público ainda a conhece pouco, mas a vida é melhor ouvindo Mônica Salmaso, tenham certeza.
Aliás, ela participa de outro trabalho mais do que recomendável, o disco que lança a Orquestra Popular de Câmara (Núcleo Contemporâneo), formação que mexe fundo com a tradição e propõe a contemporaneidade fiel à tradição da música popular. Ah
e não esquecer "Muito Intensa", de Fátima Guedes (Velas). As veteranas também brilharam: Bethânia, com "Diamante Verdadeiro" (BMG, CD duplo, gravação ao vivo do show A Força que Nunca Seca), está deslumbrante.
E Inezita Barroso comemora os 45 anos de carreira com o CD Sou Mais Brasil (CPC-Umes). Prossegue na profissão de fé, de cantar as mais brasileiras canções, de "Viola Enluarada" (Marcos e Paulo Sérgio Valle) ao "Coco do Mané" (Luiz Vieira) e Lampião de Gás (Zica Bergami). O lançamento oficial do CD é na segunda-feira, reserve o seu e o dos seus. A mesma gravadora CPC-Umes lançou outros trabalhos tão bons que é difícil destacar alguns. Vamos ficar com dois de samba - Sincopando o Breque", de Nei Lopes, e "Luz do Vencedor", em que o compositor e cantor Luiz Carlos da Vila rende homenagens ao seu grande mestre
Candeia, sambista fundamental - e com o disco "Comadre Florzinha", estréia do grupo de Pernambuco, meninas que cantam a tradição de seu Estado com vozes de pastoras e beleza das grandes festas populares, obra admirável. É um trabalho de resgate de tradições e isso às vezes soa como coisa aborrecida, didática. Nada disso. É alegria pura, felicidade vibrante. Adultos e crianças adoram.
E todo mundo gosta de Lenine, que chegou ao melhor momento da carreira como disco "Na Pressão" (BMG), mais uma vez combinando tradição e modernidade. Outros títulos de agrado certo: "Pagode de Mesa", da grande Beth Carvalho (BMG), "Departamento do Pagode", de Luizinho SP (Velas), "Um Natal de Samba", (Velas), com Zeca Pagodinho, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Mauro Diniz, Dunga, Almir Guineto é a melhor turma: sambas que falam de Natal. Combinação brasileiríssima, como se vê e se gosta.


