Ao som dos tambores japoneses
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quarta-feira, 02 de abril de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O som forte e contagiante dos taikos (tambores japoneses) parece ecoar por todo o corpo. Com precisão, o percussionista Yoshikazu Fujimoto, 63 anos, do renomado grupo japonês Kodo, ensina um pouco da sua técnica a alguns aprendizes da arte milenar que vem encantando os brasileiros. Acompanhado da sua esposa, Yoko, 61 anos, que canta no grupo, eles estão pela primeira vez em Londrina a convite do grupo londrinense Ishindaiko, que há dez anos divulga essa manifestação artística na nossa região e é pentacampeão do Campeonato Brasileiro de Taiko. Hoje, às 20 horas, os dois grupos se apresentam no Teatro Marista.
"Vai ser uma apresentação muito especial, com tambores, dança e canto, algo muito diferente do que estamos acostumados a fazer. Acho que o público vai se surpreender", adianta Lucas Muraguchi, fundador do Ishindaiko, que tem 35 participantes. "Está sendo uma experiência enriquecedora trabalhar com eles, que são grandes representantes dessa arte, pela sua tradição e experiência", acrescenta. Além de Londrina, o grupo Kodo irá se apresentar em Buenos Aires. No domingo, o casal realizou um workshop em Londrina para 15 pessoas de várias cidades.
E foi com simpatia, que o casal Fujimoto interrompeu na última terça-feira os ensaios para dar entrevista, com a ajuda da tradutora Mariana Leiko, que também é aprendiz de taiko e integra o Ishindaiko. Criado em 1981, no Japão, o grupo atualmente integra 25 percussionistas que viajam pelo mundo inteiro, em tour anuais. "Temos uma boa receptividade por onde passamos e no Brasil é assim também; o povo brasileiro é bastante acolhedor e espontâneo. Acho que de certa forma temos uma proximidade musical devido ao Carnaval que é um grande festival popular semelhante ao Matsuri, que acontece todo ano no Japão", destaca Fujimoto, lembrando que o grupo já se apresentou duas vezes no Brasil.
Sua esposa, a cantora Yoko, lembra que é da geração em que as mulheres não podiam tocar os tambores, apenas cantar. "Mas eu sempre gostei de cantar e sempre participei das apresentações dessa forma. No espetáculo de hoje cantarei canções alegres e calmas, sendo a maioria tradicionais, inclusive uma que cantamos em homenagem à época da colheita e que é de origem taiwanesa com arranjos que eu mesma fiz", observa.
Com um postura impecável, Fujimoto afirma que considera o bem-estar físico um dos aspectos importantes para executar bem a arte de tocar tambores, que exige afinações e baquetas (batis) variadas - com formas, pontas e madeiras diferentes. "Não é só a força dos braços e dos punhos que conta. O som deve sair do corpo inteiro; é necessário prestar atenção a cada detalhe do som e o corpo precisa estar bem para isso. É bom ter uma postura bonita para sair um som bonito", explica. Como condicionamento físico, ele conta que ele inclui corridas diárias, flexões e abdominais. "Hoje não faço treinos tão intensivos, mas os integrantes mais jovens do nosso grupo ensaiam o dia inteiro, até à noite, apenas com intervalo para comer", diz.
Eles observam que no Japão o taiko está passando por um processo de resgate cultural e que cada vez mais pessoas estão interessadas em conhecer essa arte que possui diversas variações rítmicas e de estilo conforme a sua região de origem. "Não é necessário aprender desde criança, mas quanto mais cedo, melhor", pontua o casal, que garantiu que irá oferecer aos londrinenses "um show maravilhoso, com a explosão de sons dos jovens do Ishindaiko".
Serviço:
Apresentação de taiko com os grupos Ishindaiko e Kodo (Japão)
Quando Hoje, às 20h
Onde Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240), em Londrina
Quanto R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia e inteira antecipada)
Pontos de venda Show Room A. Yoshii (Av. Madre Leônia Milito, 1.800) e Yorokobi Presentes (Av. Benjamin Constant, 1.351)


