ReproduçãoTânia Alves: disco tem pout-pourri de Roberto Carlos e Júlio IglesiasUma vez achado o filão, Tânia Alves aparece com o terceiro disco da série ‘‘Amores e Boleros’’ (Polygram), iniciado em 95. O primeiro foi interessante, o segundo nem tanto e o terceiro só não é mais insípido por falta de espaço. É um disco popular em que Tânia e Cia tentam dar uma roupagem particular a grandes sucessos (nem todos boleros) e que, no entanto, não conseguem passar o que o autêntico bolero tem de melhor: emoção. Parte disso se deve ao canto técnico e seco de Tânia Alves que não se mostra à altura da boa intérprete que era quando veio ao mundo dos discos, em 87.
São 13 faixas. Em termos de resgate, o repertório é impecável mesmo quando Tânia Alves se transforma na enésima cantora a gravar, por exemplo, ‘‘Ronda’’ (Paulo Vanzolini) e ‘‘Negue’’ (Adelino Moreira-Enzo de Almeida Passos). Acontece que essas e outras pérolas, no frigir das maracas, acabam ficando mais que deja-vu .
Salvam-se, entretanto, o pout-pourri de tangos, com direito a um texto de Paulo César Pinheiro, um dos mais importantes letristas brasileiros; e ‘‘Pensando em Ti’’ (Herivelton Martins-David Nasser), com a participação do Trio Irakitan. Agora, a cantora perde a mão (por culpa da produção, talvez) ao regravar um pout-pourri de Roberto Carlos e, pasmem, Júlio Iglesias.
Gravar Roberto Carlos não é nenhum pecado, mesmo quando se pegam algumas de suas músicas mais manjadas. Mas registrar musiquetas de Júlio Iglesias pode ser caracterizado como pecado capital para uma cantora como Tânia Alves. Portanto, não ouvireis; é para o vosso próprio bem. Agora, se quer arriscar, arrisque. Afinal, ‘‘Amores e Boleros 3’’ foi feito apenas para ser ouvido com os ouvidos e não com o coração.

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