Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Quando o rock brasileiro explodiu nos anos 80, apareceu um grupo investindo no blues, contrariando as expectativas e conselhos de amigos. Mais do que isso, a harmônica foi destacada como característica da banda. Na época, o blues ainda era artigo raro – não tinha essa versatilidade de títulos surgida com a entrada dos importados – e não encontrava muito espaço nos repertórios.
Mas o Blues Etílicos ganhou reconhecimento e se mantém na estrada, às vésperas de completar 14 anos de carreira. O grupo se apresenta hoje na boate Glass Night (Shopping Catuaí), em Londrina. O repertório traz composições próprias, e o show prepara o terreno para o álbum ao vivo que deve sair no ano que vem.
‘‘Vamos tocar basicamente músicas originais, como ‘Cerveja’, que fizemos com o Fausto Fawcett, ‘Águas Barrentas’ e ‘Dente de Ouro’, entre outras. As músicas são de várias épocas diferentes do grupo’’, revela o gaitista Flávio Guimarães.
‘‘The Best of Blues Etílicos’’, o último CD, é uma coletânea que abrange os discos produzidos entre 1989 e 1992: ‘‘Água Mineral’’, ‘‘San-ho-zay’’ e ‘‘IV’’. ‘‘Nós tínhamos esses três discos que eu curtia, mas tinha algumas observações, algumas coisas irregulares. A coletânea surgiu como um bom disco de blues, como o ‘Salamandra’ e o ‘Dente de Ouro’’’, comenta.
Como desbravadores do blues nos palcos nacionais, hoje o Blues Etílicos encontra um mercado estabelecido no gênero. ‘‘Quando surgimos, no blues não tinha ninguém. Tinha o Celso Blues Boy, que tocava rock na época. Não havia nenhuma banda de blues profissional, com disco lançado, no Brasil. Em 1986, nós não víamos futuro. Fomos pioneiros não só na criação de um mercado, como influenciamos as gerações de blues que vieram depois’’, assegura Guimarães.
Se o espaço era reduzido, mais restrita ainda era a atuação de um gaitista no cenário pop/rock nacional. ‘‘Até então, ninguém tinha usado tanto a gaita. Não conheci ninguém que tocasse a diatônica (gaita preferida pelos músicos de blues) bem. Nesse cenário existiam gaitistas razoáveis, mas nenhum de destaque’’, recorda.
Justamente pela escassez, Flávio Guimarães teve uma ascensão rápida, e logo foi chamado para gravar com nomes como Rita Lee, Luiz Melodia, Almir Satter e Ed Motta. No exterior, Guimarães já tocou com Buddy Guy, Magic Slim e Sugar Blue, entre outros. No início de dezembro o músico vai lançar o segundo disco solo, ‘‘On the Loose’’, pela Eldorado.
Blues Etílicos – Apresentação hoje, a partir das 23 horas, na boate Glass Night, no Shopping Catuaí, em Londrina. Os ingressos podem ser adquiridos por R$ 15,00 nas loja Mister Cat (Shopping Catuaí) e na Glass Night. Mais informações pelo telefone (43) 339-6061

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