Ao som de ritmos calientes
Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha2
A sensualidade da dança latina e ritmos como merenge, tango e salsa podem ter conquistado um grande número de admiradores no Brasil, mas raramente são conferidos longe de uma tela de tevê ou das salas de cinema. Uma das únicas companhias a levar a palcos de bares e casas noturnas do País as modalidades calientes é a curitibana Latinus, atração de hoje à noite no Restaurante Toscana, em Santa Felicidade.
O show será a primeira oportunidade do público conhecer a nova formação do grupo, fundado há cerca de cinco anos pelo músico e bailarino Walmir Secchi. Além de seus antigos integrantes, que atuam no contrabaixo, violino, violão, piano e vocal, a orquestra conta agora com o trabalho de dois bandoneonistas.
Com presença confirmada de cônsules de diversos países da América Latina, o espetáculo deve fazer com que muita gente mate a velha vontade de exibir os passos embalados por ritmos tropicais. Várias pessoas reclamam que sabem dançar, mas não encontram nem local adequado nem um bom conjunto. Por isso pretendemos que esse show dê início a uma série de outros que deverão ser realizados de prefência em lugares que permitem a interação do público, conta o diretor e coreógrafo da Latinus, Walmir Secchi.
O repertório que será apresentado esta noite inclui canções caribenhas, brasileiras e alguns tangos conhecidos, como A Media Luz, Canaro en Paris, Mi Buenos Aires Querido, El Dia Que Me Quieras e Zorro Gris música tema do filme Tango, de Carlos Saura, recentemente exibido pelos cinemas de Curitiba. O filme ajudou a aumentar o interesse do público pela dança argentina, opina o bailarino.
Junto com os músicos estarão se apresentando no Toscana alunos do Centro de Dança Latina Walmir Secchi, inclusive um casal de apenas dez anos. Participarão do show os instrumentistas Antônio Tomazini, no baixo acústico, Waltel Branco, no violão, Rogério Krieger, no violino, e Fernando Montanari no piano, além do cantor Basílio Papaikonomou e dos bandoneonistas Aparício Konze e Alexandro di Nubila.
As pessoas estão cansadas de ouvir axé e pagode, afirma o bailarino Walmir Secchi. Como consequência natural, começaram a procurar a música latina. Ele tem motivos para acreditar nisso, já que o Centro de Dança Latina que fundou em Curitiba hoje conta com cerca de cem alunos - um grupo do qual fazem partes de crianças que mal aprenderam a andar sozinhas a pessoas de 80 anos.
Esse crescente interesse pelo aprendizado de novos passos, em sua opinião, não se restringe a danças típicas da América Latina. Dançar qualquer modalidade a dois permite uma busca de identidade do homem e da mulher. Em todos os outros esportes o casal trabalha isoladamente. Já essa atividade promove um encontro físico e psicológico entre as pessoas; faz com que elas se conheçam melhor, aprendam a se adaptar ao tempo um do outro. E esse contato, esse conhecimento está se tornando cada vez mais necessário, explica.
Além disso, a dança promove um autoconhecimento, corrige a postura, permite um melhor domínio do corpo e traz diversos outros benefícios comuns a qualquer exercício físico.
O centro oferece cursos em três módulos. Num deles é ensinado tango, no outro os ritmos caribenhos (salsa, mambo, merengue, bolero, rumba, cumbia e cha-cha-cha), e no terceiro os brasileiros samba, lambada e forró. Muita gente acha que precisa primeiro aprender bolero para depois fazer aulas de tango. Na verdade, o conceito de que tango é difícil é distorcido. Ele é bastante técnico, o que foge às características de nossa cultura, muito aberta, solta, esclarece.
A famosa sensualidade típica dos movimentos latinos, segundo Walmir, não é algo que precisa ser praticado, não surge como um comportamento imposto pela música. É inerente ao ser humano, e despertado de uma maneira natural, diferentemente do erotismo evocado pelos rebolados do axé e do pagode. O sensual existe na criança, no homem, no velho. E cada um encontra uma maneira diferente de expressar isso, diz.
Walmir conta que as turmas de sua escola de dança são totalmente heterogêneas: reúnem num mesmo ambiente profissionais, atores, bailarinos e os dançarinos mais desajeitados. Nós não uniformizados o grupo. Cada um é levado a seguir seu próprio ritmo.
Noite de Dança Latina. Hoje, às 21h30, no Restaurante Toscana (Rua Manoel Ribas, 5.761), fone:(41) 273-6163. Ingressos a R$ 10,00 (antecipados) e R$ 15,00. O Centro de Dança Latina Walmir Secchi fica na Rua Reinaldino S. De Quadros, 88. Fones: (41) 262-1866 e 362-4666. Cada módulo é ministrado em 40 aulas, que podem ser feitas de manhã, à tarde ou à noite.
Festival de Reggae
DivulgaçãoIsrael Vibration, um dos grandes nomes da música jamaicanaO ExpoTrade sedia, hoje, a partir das 21 horas, o Reggae Fest International com apresentações de grandes nomes da música jamaicana: o grupo Israel Vibration e o músico Junior Marvin, ex-vocalista e ex-guitarrista do Bob Marley & The Wailers. Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser comprados antecipadamente nas lojas Drop Dead, Point, VM.
O trio, formado há pouco mais de 20 anos, já gravou oito discos - quase todos lançados pela RAS Records - e realizou espetáculos na Jamaica, Israel, Japão e em países da Europa. Em meados da década de 80, seus integrantes resolveram partir para a carreira solo, que não durou mais de cinco anos. A música do Israel Vibration intercala o reggae tradicional com o som hipnótico e traz em suas letras uma profunda mensagem espiritual.
O show de Junior Marvin em Curitiba faz parte de uma turnê mundial que marca a estréia nos palcos de sua nova banda, e a volta do artista ao cenário musical, do qual estava afastado desde sua saída do The Wailers, há dois anos.
Em seu primeiro álbum solo, lançado recentemente, ele mantém o ritmo e o estilo que consagraram a banda de Bob Marley. Acompanham Junior na turnê o guitarrista americano Joey Shaling e o percurssionista Claudio Pepe, também oriundo do The Wailers. O Reggae Fest International tem a participação de duas bandas paranaenses: Namastê e Djambi.
Simpósio de Cultura
A cidade de Campo Mourão realiza hoje e amanhã o 1º Simpósio Municipal de Cultura. O objetivo é debater as propostas preparadas pela equipe técnica da Fundação Cultural (Fundacam) e colher sugestões da comunidade para a definição do projeto cultural da cidade para o ano 2000.
A programação começa às 14 horas, com oficinas, cursos e palestras na Casa de Cultura. Às 20 horas, ocorre a solenidade oficial de abertura no auditório Aracyldo Marques. O encerramento da cerimônia fica a cargo do Coral Canto e Cultura. Na sequência, os participantes serão divididos em grupos para iniciar os trabalhos nos órgãos da Fundacam.
Também hoje, às 20h30, no Teatro Municipal, uma programação paralela traz a apresentação da peça Piquenique no Front. As atividades do dia encerram-se às 22 horas, com a Banda Municipal. O evento prossegue amanhã, a partir das 20 horas, com levantamento de propostas, debates e a criação de um plano de trabalho por área. Às 20h30 será exibido no Teatro Municipal o filme A Marvada Carne.
Logo depois, na plenária geral, serão apresentados os planos de trabalho, a aprovação e assinatura do documento que irá nortear as atividades da fundação em 2000. O encerramento do 1º Simpósio terá apresentações da Academia Corpore de Dança, Academia Municipal de Ballet, Anderson Soares e dos cantores Oséias Cardoso, Sônia França, Célia Cardoso e Fausto Jacques Almeida.
Arquivo Folha
A banda mineira J.Quest vai cantar músicas do novo CD
Jota Quest
A banda mineira Jota Quest vai estar em Curitiba hoje apresentando-se, a partir da meia-noite, no palco da Forum. Seus integrantes irão interpretar alguns de seus grandes sucessos, como Fácil - uma das mais executadas nas rádios brasileiras - Tão Bem, de Lulu Santos, O Vento, com arranjos de Jaques Morelenbaum e outras composições de seu segundo CD, De Volta ao Planeta. Os ingressos custam R$ 15,00, e estão à venda nas Lojas Bunnys, Armazém do CD e Forum.
O novo trabalho, produzido por Dudu Marote, o mesmo produtor do disco anterior, e por Marcelo Sussekind, mantém a linha pop característica do grupo. Além da influências da black music, que continuam claras, as músicas ganharam, dessa vez, uma pitada de rock.
O vocalista Rogério Flausino garante que, apesar das cabeleiras e do visual brechó adotado pelos integrantes do Jota Quest, a performance da banda no palco continua a mesma. Eles preservaram o carisma e o estilo dançante que conquistaram a platéia em sua primeira turnê, na qual foram realizados 130 shows por diversos Estados brasileros.
Além de Rogério, integram o Jota Quest os músicos Marco Túlio Lara (guitarra), P.J (baixo), Márcio Buzelin (teclado) e Paulinho Fonseca (bateria). O primeiro CD do grupo, J.Quest, vendeu cerca de 100 mil cópias graças aos his As Dores do Mundo, Onibusfobia e Encontrar Alguém.





