Ousadia, pretensão e sorte são cafés pequenos para Maurício Appel, produtor do longa metragem ‘‘O Preço da Paz’’. Appel está na Alemanha para acompanhar a gravação da trilha sonora do filme que terá início hoje, com a Orquestra Sinfônica de Berlim. No pódio estará o compositor e maestro Jaime Zenamon, autor de 12 temas criados especialmente para o filme.
Ter a Sinfônica de Berlim neste trabalho foi presente caído do céu. De acordo com os planos dos produtores, um grupo de 15 integrantes da orquestra faria a gravação da trilha. Mas comenta-se nos bastidores que os músicos não entenderam o porquê desse número reduzido; então foi explicado a eles que o dinheiro disponível não comportaria para bancar toda a orquestra.
Depois de analisar as partituras, a Sinfônica de Berlim deu sua resposta – os 68 músicos aceitavam participar do trabalho sem cobrar um tostão a mais. As sessões no estúdio ocuparão os próximos 15 dias, que é o período de folga na apertada agenda dos músicos.
‘‘O Preço da Paz’’ é o último título definitivo – dizem – ao filme que já se chamou ‘‘Cerro Azul’’. Estrelado por Herson Capri e Giulia Gam, com direção de Paulo Morelli, narra os trágicos episódios vividos por Ildefonso Correia Pereira, o Barão do Cerro Azul, que culminaram com sua morte em maio de 1894, durante a revolução federalista.
O elenco conta com atores paranaenses, entre eles Zeca Cenovicz. A estréia está prevista para o próximo ano, durante a realização do Festival Internacional de Berlim.
O embate entre as tropas legalistas e as que defendiam a volta da monarquia gerou dias de terror, especialmente na cidade da Lapa que foi dizimada pelos inimigos pró-monárquicos. Momentaneamente respondendo por Curitiba, o barão negociou com os invasores para poupar a cidade. Chegou a oferecer dinheiro para evitar saques.
O papel desempenhado por Ildefonso no episódio foi mal interpretado pelos legalistas. Acusado de traidor, foi punido quando a situação finalmente se restabeleceu: feito prisioneiro, recebeu a condenação máxima – junto de outros seis –, durante uma viagem de trem em direção a Paranaguá. Foi fuzilado e seu corpo atirado num despenhadeiro do Pico do Diabo.

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