Ao norte do fim do mundo
O vasto território ao sul do Chile é o terceiro maior do país, com 108 mil quilômetros quadrados para apenas 80 mil habitantes. Ao norte da Patagônia, na região de Aisén, em pleno verão, além de geleiras milenares, o turista se surpreende com uma paisagem campestre, com muitas áreas de mata virgem, fiordes, vales, rios e vilarejos quase desertos. Tudo com o pano de fundo da onipresente Cordilheira dos Andes.
De Santiago, o melhor caminho até lá é pegar um vôo até o pequeno povoado de Balmaceda, o primeiro a ser fundado por aquelas bandas. É no desembarque que o turista começa a perceber um pouco do que a Patagônia reserva. Os cavalos, herança da colonização espanhola, ainda hoje são meio de transporte comum e ajudaram a criar o personagem típico da região de Aisén: o gaúcho patagônio.
Basta uma rápida espiada nas ruas para saber que você está na rota para o ''fim do mundo''. E tem uma estrada que o leva para lá. A Carretera Austral, inaugurada em 1983, tem 1.200 quilômetros de extensão de Puerto Montt à Vila de O'Higgins, no extremo sul, permeando parques nacionais.
Estamos no coração dela, viajando em direção ao norte. Não deixe de reparar, durante o caminho, no paredão montanhoso apelidado de Muralha da China e na cascata do Rio Polux, uma queda d'água de 20 metros de altura. Até parece um roteiro ao interior da região Sul do Brasil.
Depois de uma hora de viagem (ou após 55 quilômetros), chega-se a Coyhaique, capital da região, com 43 mil habitantes. Fundada em 1929, a ''aldeia entre águas'' assim chamada na língua nativa, já que está situada no vale entre os Rios Simpson e Coyhaique é o último reduto capaz de abastecer o turista de filmes fotográficos, telefone, artigos de pesca, roupas e artesanato.
Na frente da Plaza das Armas, cerca de 20 barraquinhas vendem desde gorros, luvas, cachecóis e ponchos até garrafas revestidas de couro, bolsas de couro cru e de lã, tapetes de lã, jarros e cerâmicas, que lembram muito os nossos artefatos gaúchos.
Logo ao lado, na Rua Horn, pode-se comer no histórico Restaurante Ricer e, não muito longe dali, visitar o Museu Regional da Patagônia, que guarda fotos da história local. O minicomércio artesanal e as lojinhas nas ruas adjacentes dão noção de como sobrevive a economia do norte: criação de ovelhas, pesca e turismo.





