ANTUNES
NO CABARÉ
O cantor,
compositor e
poeta Arnaldo
Antunes se
apresenta hoje
à noite na
programação
musical do Filo
Nelson Sato
DivulgaçãoArnaldo Antunes: show vai reunir o repertório dos três discos-soloUm verniz pop recai sobre o Filo. Mais voltada para a MPB, a programação musical do Festival Internacional de Teatro de Londrina dá vez hoje para a aspereza ruidosa de Arnaldo Antunes.
O músico e poeta se apresenta a partir de meia-noite, no Cabaré, (Av. Celso Garcia Cid, 1.419) em sua primeira visita à cidade desde que saiu dos Titãs, há seis anos. O show vai reunir o repertório de seus três discos-solo, embora o público saudoso aguarde canções mais familiares da época em que ele integrava a banda paulistana, com a qual, aliás, trocou gentilezas no ano passado ao participar do show ‘‘Acústico’’.
Para a apresentação, Arnaldo deverá vir acompanhado de sua banda, que inclui o guitarrista Edgar Scandurra (do Ira!), o violonista e baixista Paulo Tatit (ex-Grupo Rumo), o baterista Pedro Ito, o percussionista Peter Price e eventualmente sua mulher, a tecladista Zaba Moreau. O show é um recreio para o músico, que desde o mês passado está enfurnado em estúdio gravando um novo disco.
Arauto da diversidade estética, Antunes vive o drama de sua opção pela pesquisa e experimentação sonora. Desde que decidiu encarar a carreira-solo, perdeu o apelo popular e provavelmente o antigo público. Virou ‘‘cabeça’’, na atribuição dos obtusos habituais.
Inclassificável, vem deixando algumas marcas visíveis em sua obra - tanto nas letras quanto nos poemas - que incluem repetição lúdica dos versos e recursos de um certo concretismo pop. Já em sua estréia, em 93, ousou juntar poesia, música, vídeo e livro no projeto ‘‘Nome’’.
Dois anos depois apareceu com o CD ‘‘Ninguém’’, que trazia um soneto de Augusto dos Anjos musicado em ritmo de bossa nova. Seu último disco, Silêncio, chegou há dois anos no mercado. Mais acessível e radiofônico que os anteriores, parecia apontar outros caminhos para o artista.
No ano passado, porém, reforçou seu trânsito entre os cultos ao lançar o livro Dois ou + Corpos no Mesmo Espaço (editora Perspectiva) acompanhado de um CD com 13 poemas oralizados. Arnaldo não se rende.

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