Todos os dias, os ouvintes da "Rádio Eldorado", de São Paulo, despertam e vão dormir com os cometários de Antonio Penteado Mendonça. Ele apresenta para o público, em três inserções diárias, pequenas crônicas sobre política, economia, cotidiano e outras coisas da vida um pouco fora de moda nos noticiários, como relacionamento entre as pessoas, tema predominante no livro "Crônicas de Amor e Outras Histórias" (Green Forest do Brasil, 168 páginas R$ 25,00), que será lançado na terça-feira, no Restaurante Rubayat (Alameda Santos, 86, em São Paulo), às 18 horas.
O autor diz que foi a extrema receptividade de seus ouvintes às crônicas que se ocupam dos assuntos démodé que o fez decidir publicar seu segundo livro. "O número de telefonemas de ouvintes pedindo por escrito as crônicas que eram levadas ao ar foi surpreendente", conta o também colaborador do "Jornal da Tarde", que diz nunca ter tido retorno parecido com seus textos sobre política ou economia. "Parece que as pessoas buscam exatamente o que mais falta em suas vidas", avalia.
Para "Crônicas de Amor e Outras Histórias", Mendonça selecionou 155 escritos de uma série de 1.770 textos veiculados pela "Rádio Eldorado" na abertura do programa diário "Crônica da Cidade", título também de seu primeiro livro, lançado há três anos pela GRD. "Eram textos com curiosidades e observações sobre a cidade de São Paulo, um assunto que me interessa muito."
Alguns personagens de suas crônicas sobre o dia-a-dia paulistano reaparecem no novo livro do cronista. Como o Imperador dos Jacarés, criado quando do aparecimento de um jacaré no Rio Tietê. "Isso ocorreu na mesma época da construção do piscinão do Pacaembu", lembra. "Algumas crônicas que fiz na época eram fábulas sobre jacarés que preferiam os atrativos aquáticos de São Paulo a de outros locais pelo aumento da qualidade de oferta."
Com essas histórias criadas a partir de fatos, Mendonça diz ter inventado um rol de personagens que conquistaram a simpatia imediata do público, que pode ser avaliada pelas cartas e telefonemas recebidos na redação da rádio. "Mas incluí alguns deles também para acrescentar um aspecto lúdico e bem-humorado ao livro", justifica.
Mendonça uniu em sua coletânea alguns escritos que beiram a poesia - ao tratar das relações e dos sentimentos -, textos engraçados com leituras sobre fatos inusitados do cotidiano dos habitantes da cidade de São Paulo e até crônicas que podem ser chamadas de visionárias. Nesta última categoria encaixa-se "A Musa e O Chicote", escrita há alguns anos. Como antecipa o título, o texto trata de um fenômeno que hoje se tornou objeto predileto de muitos cronistas, o sadismo representado pelo chicote das musas atuais, como a modelo e atriz Tiazinha, na época da criação do texto uma ilustre desconhecida, semelhante à sádica anônima a que se refere o cronista.

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