Antônio Nóbrega mostra fragmento do espetáculo "Pernambuco"
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quarta-feira, 30 de junho de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 01 (AE) - Na segunda-feira Antônio Nóbrega embarca com sua trupe - 35 pessoas, entre artistas e técnicos - para a França. Vai representar o Brasil na 53.ª edição do Festival de Teatro de Avignon. Mostrará o espetáculo musical "Pernambuco" - "Pernambucô", ou "Pernambuc", os organizadores do festival dividem-se entre uma pronúncia e outra. Gostam da palavra. "Pernambuco" não tem data para ser montado, na íntegra - são 150 minutos, corridos, sem intervalo -
por aqui. Um fragmento do espetáculo, com 90 minutos de duração
estará sendo apresentado, de amanhã (02) a domingo, no Sesc Belenzinho, com entrada franca.
Antônio Nóbrega montou o espetáculo especialmente para o imenso espaço cênico, ao ar livre, um anfiteatro desenhado pelas paredes de uma pedreira, a 13 quilômetros de Avignon, onde vai apresentá-lo nas 12 récitas francesas. Vai ser o único espetáculo montado lá, lugar onde Peter Brooks estreou "Mahabarata". Nóbrega precisaria ter um palco de iguais dimensões, preferencialmente também ao ar livre, para que todo o aparato de cena possa ser visto aqui. É coisa que ele tem esperança de realizar, na volta, talvez com apoio do próprio Sesc, que é parceiro no patrocínio de sua viagem.
É uma produção cara - até pelo numeroso elenco, de 25 músicos, três atores-bailarinos. Uma parte dos músicos é do Recife. "Mas a pedreira de Avignon parece o sertão", diz Nóbrega, que visitou o lugar antes de começar a montagem de "Pernambuco". "Fui convidado por causa de peculiaridade do meu trabalho, que aglutina linguagens de dança, teatro e, sobretudo, música", conta. "Resolvi, então, reunir cenas de música e dança de meus cinco espetáculos anteriores, até pela oportunidade de fazer uma releitura, depois desses anos todos."
A vinda da orquestra de frevos recifense enriquece ainda mais a cena, proporcionando a variedade de timbres desejada pelo autor, ator e diretor do espetáculo - são 11 instrumentistas tocando bombardinos, trumpetes, flautas, mais quatro vozes - de Isaar Santos, Karina Buhr e Telma Cavalcanti, do grupo Comadre Florzinha, e Luciana Alves. Ainda em cena, além de Nóbrega e de sua mulher, a dançarina Rosane Almeida, há mais dois dançarinos, Pedrinho Salustiano e Maria Eugênia Almeida.
Todos a serviço da variedade - dos frevos de Capiba aos choros "Bola Preta", de Jacó do Bandolim, e "Ingênuo", de Pixinguinha, passando pelas músicas que vêm colorindo a trajetória do personagem Tonheta, vivido por Nóbrega, seu dançarino-cantor-instrumentista-ator e contador de histórias, seu alter ego. "Minha preocupação foi a de dar organicidade ao espetáculo", conta ele. "Fazer com que o espectador seja tomado, como corda esticada, numa cena sempre ampliando as sugestões da anterior e justificando a chegada da próxima" - é claro que ele consegue. Essa é sua arte.
O diretor do festival esteve no Brasil, no início do ano
e ficou deslumbrado com "Pernambuco Falando para o Mundo", o espetáculo anterior de Antônio Nóbrega - com o mesmo título de seu mais novo disco, um bordão carinhosamente surrupiado de locutores antigos da Rádio Jornal do Commércio, de Recife. O novo espetáculo, "Pernambuco", tem pouca ligação com o anterior (alguns números, em releitura), mas o título ficou reduzido por insistência do diretor. Que, aliás, queria mostrar - para o mundo - algo além do estereótipo da mulata sambista. A cultura brasileira vai mais longe.
Outras atrações - O fim de semana oferece outras atrações. O compositor, cantor e violonista Moacyr Luz canta, nesta sexta e sábado, no Villagio Café. A base do espetáculo é o repertório de seu disco mais novo, o excelente "Mandingueiro" - mas Moacyr tem músicas novas, entre elas parcerias com Nei Lopes ("Vinte e Sete Zero Nove"), Fátima Guedes ("Súbita Primavera"), Paulo César Pinheiro ("Som de Prata"). E tocará os sucessos que o público sempre exige - de "Coração do Agreste" (sucesso na voz de Fafá de Belém, letra de Aldir Blanc) a "O Tocador É Bom" (só dele), "Mico Preto" (gravada por Gilberto Gil, letra de Aldir), "Medalha de São Jorge" (gravação de Maria Bethânia, mais uma letra de Aldir).
No movimentado e importantíssimo para a música popular Teatro Crowne Plaza, tocam, de amanhã (02) a domingo, Ronaldo do Bandolim (que também atua no conjunto Época de Ouro), o violonista de seis cordas José Paulo Becker e o violonista de sete cordas Marcello Gonçalves. Eles integram o Trio Madeira Brasil, uma das melhores novidades do choro contemporâneo. O trio formou-se há dois anos - cada um dos integrantes participava do 2.º Festival Chorando Alto, tocando em outros grupos. A aproximação foi natural e o encontro (não é uma formação comum) revelou um mundo de beleza e inteligência.
Recomendação, ainda, para os dois shows do grande cantor e compositor João Nogueira, sambista da maior qualidade, compositor brilhante, cantor de estilo muito próprio - João canta séxta e sábado na choperia do Sesc Pompéia. Um bom samba, um chope gelado - eis combinação imbatível. No roteiro, "Súplica, Poder da Criação, Força da Natureza, Baile no Elite" - só perolas. Antônio Nóbrega. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. Grátis - retirar ingressos com um dia de antecedência. Teatro do Sesc Belenzinho. Avenida álvaro Ramos, 991, tel. 282-7144 João Nogueira. Sexta e sábado, às 21 horas. De R$ 5,00 a R$ 10 00. Choperia do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700 Moacyr Luz. Sexta e sábado, às 23 horas. R$ 12,00. Villaggio Café. Praça Dom Orione, 298, tel. 251-3730 Trio Madeira Brasil. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. Duração: 1h30. R$ 15,00. Teatro Crowne Plaza. Rua Frei Caneca, 1.360, tel. 289-0985


