Esperar é um verbo ingrato. Quem espera às vezes alcança, mas as sensações por que passa são intransferíveis a outras pessoas. Impaciência, ansiedade, sonolência, raiva, suposta tranquilidade e outras manifestações serão levadas ao palco hoje pelo Trup Ballet de Londrina. O espetáculo chama-se ''Sala de Espera'' e faz sua estréia no Filo 2003, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde. Essa é quarta vez que o Trup Ballet, em dez anos de atividade em grupo, participa do Festival Internacional de Londrina.
Em cena, sete bailarinos que, durante 22 minutos, irão demonstrar através de movimentos e gestos tudo o que acontece numa sala de espera. ''Nada será óbvio. Caberá ao público fazer as leituras'', avisa Nádia Essada, diretora da Trup Ballet e que assina também a direção cênica e produção artística do espetáculo de dança contemporânea. A Trup fará dupla estréia. Isto é, além do espetáculo, a companhia apresenta novo elenco formado por Ana Regina Capelo, Cláudia Alves de Lima, Cláudio Sérgio Pavanelli, Dayana Sanchez Rodriguez, Luciana Maria Melo de Moura, Dijalma Júnior e Francine Santos Silva.
A idéia e a coreografia são de Luiz de Paula, londrinense radicado atualmente em São Paulo. É dele também a direção coreográfica de outro espetáculo do Ballet da Fundação Cultural de Ibiporã, batizado de ''Sombras - A Poesia da Traição''. São 40 minutos de encenação de mescla dança e diálogos que trata de um tema tão delicado quanto complexo: a traição.
A coreografia foi sedimentada através de relato de pessoas comuns e também de fragmentos da peça ''Maldição'', escrita por Tony Silveira e que recebeu adaptação de Beto Morbeck. Apesar de os dois espetáculos levarem a assinatura do coreógrafo Luiz de Paula, as linguagens são completamente distintas enquanto a Trup de Londrina trabalha com passos e gestualidade intrincadas, o Ballet de Ibiporã mostra um trabalho com movimentos mais interligados.

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