São Paulo, 25 (AE) - Antônio Fagundes está em todos os veículos, teatro, televisão, cinema. Na peça "Últimas Luas", em cartaz no Teatro Cultura Artística, o ator interpreta um senhor de 70 anos inconformado com o tratamento preconceituoso reservado à terceira idade. Na novela Terra Nostra, faz o papel de Gumercindo, um fazendeiro à beira da falência que substitui a mão-de-obra escrava por imigrantes italianos. No cinema, encarna dois personagens de "No Coração dos Deuses": o excêntrico professor de história Gaspar Corrêia e o bandeirante Fernão Dias. O filme entra em cartaz amanha (26) ao mesmo tempo que concorre na seleção principal do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
A bola da vez é "No Coração dos Deuses". Fagundes e o diretor Geraldo Moraes acalentavam o projeto havia anos. "Sempre tivemos vontade de trabalhar juntos em cinema", conta. "Mas nunca dava certo, ou porque ele não tinha dinheiro ou porque a minha agenda não permitia." Há dois anos, reuniram-se as condições ideais. "Foram dois meses de filmagem fantásticos no Tocantins."
Como o professor Gaspar, ele conduz um grupo bastante heterogêneo pela trilha que leva à Serra dos Martírios, lugar mítico do sertão paulista onde as bandeiras de Fernão Dias e Anhanguera encontraram-se no século 17. Na pele do bandeirante, ele proporciona uma instrutiva viagem ao passado, justamente no momento em que o personagem imagina ter encontrado esmeraldas.
Moraes escreveu os papéis especificamente para Fagundes. O ator nem precisou estudar o perfil de Fernão Dias. "Existe essa impressão de que os atores só se preparam para um determinado tipo de trabalho no momento em que são chamados para fazê-lo", arremata. "Não é verdade, eu li muito Paulo Setúbal (autor em que o diretor e roteirista se inspirou para criar a história do filme), Gilberto Freire e outros autores; não tive dificuldade para compor o Fernão Dias."
Além da amizade com Moraes, o que atraiu Fagundes para o filme foi o roteiro, segundo ele, muito bem-feito. "É uma coisa inusitada no cinema brasileiro esse jogo saudável de abordar a nossa história de forma fictícia e divertida", disse. "O problema é que, não importa o esforço de uma equipe, sempre existe um certo pessimismo com relação aos nossos filmes, uma certa falta de auto-estima do brasileiro."
Depois de "No Coração dos Deuses", Fagundes deve voltar às telas em mais dois trabalhos: "Villa-Lobos", de Zelito Viana, sobre a vida do compositor erudito brasileiro, autor da ópera "O Guarani", e "Bossa Nova", de Bruno Barreto
em que faz o papel de um advogado abandonado pela mulher. Seus planos para o cinema incluem ainda a produção de um filme, com quatro ou cinco episódios independentes, que funcionam como uma narrativa completa se reunidos, cujos roteiros serão escritos por sua mulher, Mara Carvalho. "O título ainda não está definido", conta ele. "Mas queremos a Lea Van Steen para dirigir; é uma maneira mais barata e descomplicada de entrar nessa história de fazer cinema. SERVIÇO - No Coração dos Deuses. Aventura. Direção de Geraldo Moraes. Com Antônio Fagundes, Roberto Bomfim, Cosme dos Santos, Regina Dourado, Tonico Pereira, Iara Jamra, Bruno Torres. Duração: 95 minutos. Distribuição: Riofilme

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