Antonio Candido em primeira pessoa
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sexta-feira, 01 de junho de 2018
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

No centenário de nascimento de Antonio Candido, o escritor e crítico literário morto no ano passado ganha uma ocupação que reúne peças inéditas de seu acervo pessoal. Instalada na sede do Instituto Itaú Cultural, em São Paulo (SP) o espaço expositivo apresenta autor do importante ensaio 'Formação da Literatura Brasileira' em primeira pessoa, com suas próprias palavras escritas. A mostra aberta na semana passada fica em cartaz até o dia 12 de agosto, com visitação gratuita.
Na Ocupação Antonio Candido, o crítico literário, sociólogo e professor é apresentado em primeira pessoa, exibindo o seu processo criativo e permitindo ao visitante entrever como o autor planejava os seus textos, como retornava, corrigia, reelaborava raciocínios, e perceber detalhes de seu processo de trabalho. A mostra conta com anotações para ensaios, cadernos de estudos, textos revisados mesmo depois de publicados. Também compõem a exposição estudos para importantes obras como 'Formação da Literatura Brasileira' e 'Parceiros do Rio Bonito', além de fotos, objetos e vídeos.
A curadoria é dos núcleos de Audiovisual e Literatura e da Enciclopédia do instituto com Laura Escorel, neta de Candido. A linha mestra do trabalho é o caminho percorrido por Antonio Candido, cujo trabalho entende o estudo e a criação como atos libertadores, para marcar posições político-sociais. Assim, a proposta curatorial é que a Ocupação seja um elogio à literatura, considerada por ele um direito universal, como ressaltou em seu texto 'O Direito à Literatura', uma de suas obras mais significativas.

Sete temas compõem a mostra que percorre a vida, obra e processo de construção dessa personalidade singular da sua infância até o fim. A exposição é dividida pelas temáticas: Autocrítica e artigos em destaque, Os Parceiros do Rio Bonito, Formação da Literatura Brasileira, Clima e Argumento, Suplemento Literário, Família e infância e Educador. Nessa última estão expostos cadernos de quando Candido era criança com anotações sobre autores que lia e que explicitam o início de seu processo de estudo e pesquisa.
Dentre os destaques estão a documentação sobre 'Os Parceiros do Rio Bonito' resultado da tese de doutorado defendida por ele na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em 1954, transformada em livro 10 anos mais tarde e 'Formação da Literatura Brasileira', escrita entre 1945 e 1951, editada, em 1959, em dois volumes, e reeditada em 2007 em um único volume.
Na exposição, se vê ainda o começo de sua carreira como crítico literário, com a sua participação na revista Clima, representada pela página de expediente da publicação, e exemplares da Argumento.
A exposição também destaca os primeiros trabalhos de Candido como crítico literário, ofício que desempenhou a partir de 1943, quando passou a publicar críticas na grande imprensa, até 1945 na Folha da Manhã e, depois, até 1947 no Diário de S. Paulo. Nesse período, compôs 162 escritos, alguns dos quais podem ser vistos na mostra. Dessa fase destacam-se 'Perto do Coração Selvagem', sobre o romance de estreia de Clarice Lispector, 'Sagarana', que apresenta o primeiro livro de João Guimarães Rosa, e 'Poesia ao Norte', que trata de 'Pedra do Sono', coletânea inaugural de poemas de João Cabral de Melo Neto.
Nascido na capital do Rio de Janeiro em 12 de maio de 1918, Antonio Candido de Mello e Souza iniciou sua educação em casa, com a mãe Clarisse Tolentino de Mello e Souza. Apenas aos 11 anos passou a frequentar a escola, quando se mudou para Poços de Caldas, no interior de Minas Gerais. Anos mais tarde, abandonou o curso de direito da USP (Universidade de São Paulo) no quinto ano e ingressou na graduação de ciências sociais e filosofia da mesma universidade, onde mais tarde passou a lecionar. Atuou também como crítico literário, professor e escritor. Uma de suas obras de maior destaque é Formação da Literatura Brasileira, em que fazendo uso da sociologia analisa a produção literária nacional.
Serviço:
Ocupação Antonio Candido
Quando Até 12 de agosto (terça a sexta 9h às 20h, sábado, domingo e feriado 11h às 20h)
Onde Instituto Itaú Cultural (Av. Paulista, 149)
Gratuito


