A minissérie ''Maysa - Quando Fala o Coração'' foi sucesso de audiência e despertou no público o desejo de ouvir e ler mais sobre a cantora. A procura por seus discos em vinil (e mesmo os lançados em CD) aumentou nas lojas de São Paulo, bem como pelos livros sobre ela. Também serviu de estímulo para as gravadoras relançarem outros de seus discos. Quatro deles saem agora pela primeira vez em CD, via Som Livre, que também lançou uma bem cuidada compilação com dois discos com a trilha sonora da série.
A Sony também aproveitou para reeditar o ótimo ''Barquinho'' (1961), uma compilação da série Maxximum e ''Maysa'' (1966), que tem ''Tristeza'' (Haroldo Lobo/Niltinho), ''Ne Me Quitte Pas'' (Jacques Brel), ''Morrer de Amor'' (Oscar Castro Neves/Luvercy Fiorini) e a ''Fantasia de Trombones'' - que mescla ''Demais'' (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), ''Meu Mundo Caiu'' (Maysa) e ''Preciso Aprender a Ser Só'' (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle) - utilizada como tema de abertura da minissérie.
Os quatro inéditos em CD pertencem ao acervo da RGE, gravadora pela qual Maysa lançou a maioria de seus discos. Foi entre a segunda metade dos anos 1950 até o início dos 60, fase em que a vida pessoal da cantora deu muitas reviravoltas. Mas seus altos e baixos não comprometeram a grandeza de sua música. Se ela foi desleixada com o casamento e com o próprio corpo, manteve-se no mais das vezes criteriosa na escolha de repertório, embora tenha confessado ter feito ''muitas concessões para obter sucesso''. ''Agora não há fabricante de discos que me faça gravar o que eu não sinta'', desabafou em 1961. Hoje parece estranho que a determinada Maysa, que sempre viveu o drama que cantava, tenha feito algo contrário à própria vontade.
Enfim, mesmo nessa fase em que deixou de lado a porção de talentosa compositora para se dedicar à interpretação (sempre profunda) de canções alheias, o que escolheu fez por merecer sua voz. Ela pode ter frustrado a expectativa do público, mas cantava como nunca, como comprovam esses relançamentos daquele período de imensa popularidade.
O pesquisador Rodrigo Faour, responsável pelos relançamentos destes quatro CDs da RGE, além de outros projetos anteriores envolvendo Maysa, diz que está negociando com a Universal para reeditar ''Ando Só Numa Multidão de Amores'' (1970), lançado em CD em 1990 e fora de catálogo desde então. Outros que saíram de circulação foram os volumes 2, 3 e 4 da série ''Convite para Ouvir Maysa'' (RGE/Som Livre). Continuam à venda o primeiro, numa edição conjunta com ''Maysa'' (1957), o da Elenco e ''Canção do Amor Mais Triste''. O derradeiro álbum homônimo da cantora lançado pelo selo Evento/EMI em 1974 também virou raridade.
Além de faixas em compactos espalhadas pelo mundo e não incluídas nos LPs, falta a Sony/BMG se interessar pelo raro e belo ''Maysa Sings Songs Before Down'', álbum de 1961 gravado pela Columbia nos Estados Unidos, só lançado lá e em alguns países da América do Sul - nunca teve uma edição brasileira.

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