Piaçabuçu também tem praia, uma das mais bonitas de Alagoas, recheada de dunas e coqueiros. A poucos minutos da cidade, no meio das montanhas de areia que separam o rio do mar, vivem aproximadamente 50 pessoas em casas feitas somente de barro e palha de coqueiro. É o povoado de Pixaim, um antigo quilombo e eterno paraíso, onde os moradores vivem sem televisão e geladeira. A luz solar vira energia por meio de placas especiais, fornecidas pelo governo do Estado, usadas somente para que os habitantes possam ligar seus rádios.
  O único meio de locomoção da população é o barco a remo. Com ele, as crianças vão à escola no povoado vizinho e os adultos fazem a feira aos fins de semana em Piaçabuçu. A viagem até a cidade, que dura pouco tempo com uma embarcação motorizada demora até cinco horas com uma a remo.
  No meio das dunas a água é escassa. Moradores, então, cavam buracos na areia, as cacimbas, à procura de algo para beber. Retirada em canecas, a água serve para tudo. A comida vêm do pouco gado criado por lá e de alguns legumes que brotam mesmo na areia.
  João Albertino dos Santos, de 69 anos, mora no povoado desde os dois anos. Perto de casa ele planta feijão-de-corda, milho e tomate. A carne é salgada e deixada em cima do telhado para curtir. ‘‘Só dá para comer carne-seca porque não temos geladeira’’, explica.
  Apesar de não saber como está o mundo fora de onde mora, nem quem é presidente do Brasil, ele tem uma certeza: não deixa a tranqüilidade do vilarejo por nada. ‘‘Gosto muito daqui. Lugar igual a este não existe.’’
  Em Pixaim todos se conhecem e formam praticamente uma família. Edileusa Calixto, de 40 anos, nasceu lá e é filha de Aladim, de 71 anos, morador mais antigo do povoado e compadre de João. Seus filhos, Ana Luíza, 3 anos, e Daniel, 11 anos, observam curiosos os visitantes. ‘‘Eles não estão acostumados com gente de fora’’, diz ela.
  Na frente da casa, uma árvore estranha, parecida com um cacto e repleta de flores, enfeita a fachada. ‘‘Eu não sei como ela veio para aqui. Se veio com o vento ou se foi Deus que jogou. Só sei que onde cai sua flor nasce outra árvore. Tem um monte dela por a풒, diz.
  A alguns quilômetros de Pixaim, depois das dunas onde fica o vilarejo – se tiver fôlego dá para ir a pé –, as águas do Velho Chico se encontram com as do oceano. Do outro lado do rio, em Sergipe, dá para ver que está praticamente tomado pela maré o farol do antigo povoado Cabeço, submerso após a construção da Hidrelétrica de Xingó.
  Na foz do Rio São Francisco a natureza reina absoluta. De um lado a água é salgada, do outro é doce. Do encontro das duas nascem piscinas naturais em meio a coqueiros e bancos de areia. Observando atentamente a água, é possível flagrar cardumes de peixes nadando contra a correnteza para se reproduzir.

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