Antídoto para insones
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Nelson Sato<br> De Londrina 
Se o show for igual ao disco, melhor ficar em casa assistindo aos seriados da Sony. Quem leu tudo o que se escreveu nos últimos dias na imprensa brasileira sobre o Luna, nunca mais vai abrir um jornal na vida depois de ouvir ''Live'', o novo disco do grupo que acaba de ser lançado por aqui pela gravadora Trama.
Uma coisa não bate com a outra. Recebida com generoso entusiasmo pela mídia verde-amarela, a banda de Dean Warehan mostra no disco que não só cresceu à sombra do Velvet Underground como é seu decalque mais descarado e chato. A maioria das faixas tem apenas o mérito terapêutico de servir como antítodo aos que padecem de insônia, tal a preguiça com que as canções se arrastam umas às outras conduzidas pelo Lou Reed neozelandês.
Se existe melancolia aqui, é mais de desgosto do que de uma suposta atmosfera embutida nas composições. O repertório privilegia as faixas dos álbuns ''Bewitched'' (1994) e ''Penthouse'' (1997) incluindo mais três músicas de outros discos do grupo. As canções foram gravadas em três shows em Nova York, entre dezembro de 1999 e julho de 2000. Para a edição brasileira, providenciou-se ainda três faixas-bônus, entre as quais uma cover do Beat Happening, outra banda alternativa norte-americana inexplicavelmente cultuada em terras tropicais.
Com esforço, é possível garimpar alguma faísca no CD. É o caso da hipnótica e psicodélica ''Pup Tent'', a qual se seguem a balada de guitarras límpidas ''Anesthesia'', a melodiosa ''Bonny and Clyde'' e o clássico do Galaxie 500 (banda anterior de Warehan) ''4th of July'' . Mas são exceções. ''Luna Live'' é um registro pálido e burocrático.
Melhor aguardar o lançamento do novo álbum de inéditas, previsto para chegar às lojas no começo de 2002 mixado por Dave Fridmann (do Mercury Rev) e Michael Ivins (do Flaming Lips).


