Quando despontou há seis anos, com ''Preacher'', o roteirista inglês Garth Ennis arrancou lascas do prestígio conquistado na época pelos desenhistas. Foi saudado como o mais novo gênio dos quadrinhos e comparado a Alan Moore, Grant Morrison e Neil Gaiman.
''Apenas um Peregrino'' (Devir), que acaba de sair no Brasil, traz mais uma de suas histórias sombrias repletas de citações bíblicas e um anti-herói à procura da redenção. A trama é ambientada num mundo devastado pela explosão do sol, onde os sobreviventes enfrentam a escassez de água, comida e criaturas rastejantes que habitam as rochas.
Fugindo das próprias sombras, eles ainda são perseguidos por um bando de piratas salteadores liderados pelo Capitão Castenado. Sua única salvação é seguir ''Peregrino'', um sujeito misterioso com uma marca de cruz estampada no lado esquerdo do rosto e cujo passado traz uma condenação por ter literalmemte devorado carne humana de dezesseis incautos.
''Peregrino'' dispara sua carabina com a mesma desenvoltura com que vai citando salmos das escrituras sagradas. Ennis não pouca escatologia ao longo das páginas. As criaturas meio-répteis-meio-marinhas, criadas pelos raios solares, engolem os seres humanos para ''acasalá-los'' sob a terra transformando-os em hospedeiros vivos de seus embriões.
No processo de incubação, provocam alterações repelentes nos hospedeiros. Alguns trechos da história, obviamente, são desaconselháveis para estômagos delicados. ''Apenas um Peregrino'' foi publicado originalmente numa minissérie de cinco partes. Foi uma das HQs que marcaram o lançamento da Black Bull, coleção de quadrinhos da célebre revista Wizard.
Os desenhos do álbum são do espanhol Carlos Ezquerra. As páginas finais trazem uma galeria de ilustrações de Bill Sienkiewicz, Tim Bradstreet, Liam Sharp, Kevin Nowlan, Mark Teixeira e J.G.Jones.

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