Antes do prêmio, escrever era um hobby
No ano passado você venceu o Prêmio SESC de Literatura na categoria romance com "O Evangelho Segundo Hitler", que foi publicado pela Editora Record. O que mudou de lá para cá? Sua rotina em Maringá foi muito alterada?
Minha rotina mudou bastante. Desde o anúncio do prêmio, inclui a literatura na minha pauta. Necessito ser o Marcos, servidor público, mas não me esqueço do Marcos, escritor. Antes do prêmio, escrever era um hobby, sem compromisso e com pouquíssimos leitores. Após, descobri a responsabilidade que a literatura gera. Ainda mais com um título polêmico como "O Evangelho segundo Hitler". Participei de alguns eventos importantes, como a FLIP, a Jornada Literária de Passo Fundo e a Bienal de Maceió e conheci alguns escritores que sempre admirei, que estão ainda hoje na cabeceira de minha cama. Foi um ano cansativo, mas muito gostoso.
Quando começou a escrever e como foi sua iniciação literária? Já começou escrevendo narrativas longas?
Escrevo desde que me conheço por gente. Acho que, como a maioria, comecei na poesia, ainda na adolescência. Com o tempo, percebi que não levava muito jeito para as estrofes e parti para os romances e os contos. Quando eu estava cursando Direito na UEM, fiz uma novelinha denominada "O Código do Ingá", que fez certo sucesso por aqui e que era uma sátira ao "Código Da Vinci". Um amigo do curso leu, gostou e teve a ideia de reunir artistas locais para escrever com um tema em comum: Maringá. Nasceu, então, o projeto "Contos Maringaenses" que teve e-book e um blog. Por este projeto, conheci muitos escritores jovens e promissores, cada qual com sua profissão, com sua visão pessoal sobre a vida e sobre Maringá. Foi um período importante, de autoconhecimento. Éramos escritores, revisores, editores, distribuidores, tudo ao mesmo tempo. Reuníamos, no mesmo espaço, nomes consagrados (como Oscar Nakasato e Laurentino Gomes) com jovens escritores de 15 anos de idade, que estavam dando seu primeiro passo neste universo. Não sei se há uma reunião dos jovens escritores de Londrina. Mas se existir um "Contos Londrinenses", eu apoio irrestritamente!
O que está escrevendo atualmente? Tem algum projeto pronto para ser publicado?
Possuo um romance novo engatilhado, que sairá pela Editora Record em 2015. O contrário do primeiro livro, que se passa na Argentina e na Alemanha, este será ambientado em Curitiba. Será uma história policial envolvendo uma briga de professores de filosofia da UFPR e da PUC. Não será tão blasfemo como o Evangelho segundo Hitler. Eu espero. (N.S.)





