Anotações de um diário
ReproduçãoEmilinha Borba, nos anos 50, cercada de fãsA Revista do Rádio, uma das publicações semanais de maior circulação nos anos 50, registrava com exclusividade o diário de Emilinha Borba, com anotações como estas, de uma edição de julho de 1958:
Segunda-feira - Hoje acordei com o carteiro à minha porta, trazendo-me uma carta vinda de Suez, onde se encontram os nossos pracinhas. Fiquei emocionadíssima com a surpresa. Como, então, num lugar tão longe, alguém foi se lembrar de mim? Abri a carta e verifiquei que o nosso pracinha me elegera sua madrinha no campo de batalha. Trata-se do soldado Amador Fêlix, da 8 COY - PPL, Brazilian Battalion c/o Unef Base Post Office, Beyrouth, Lebanon. Vou escrever a ele, mandando-lhe o meu abraço.
Terça-feira - Despertei sob intensa expectativa. Motivo: jogo do Brasil contra a França. Aqui em casa todos estavam inquietos. O Artur Emílio, nem é bom falar, toda hora vinha para mim e perguntava: Vai demorar muito pra começar, mamãe? Teresa, mamãe e Savana, minha querida sobrinha, também estavam muito nervosas. Finalmente, quando começou o jogo, eu já estava na rádio para tomar parte no Programa Jonas Garret, e depois do programa grudei-me ao receptor e só saí quando o Brasil consolidava sua vitória. Foi uma partida inesquecível!
Quarta-feira - À tarde, saí para fazer umas compras nas lojas de Copacabana. Vi uns copos de cristal numa vitrina e não pude resistir à vontade de comprá-los. Comprei também uns blusões lindinhos para o Artur Emílio. (...)
À noite, tencionava dar umas voltas, mas o carro do Artur estava lubrificando e, por isso, fiquei em casa, assistindo à televisão.





