Ano Novo, vida nova!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Cristina Falasco Agência Estado 
Todo fim de ano a história se repete. O clima entre a maioria das pessoas é de otimismo e esperança em relação a dias melhores no Ano Novo. Mas há, também, quem fique deprimido, muitas vezes com razão, diante das circunstâncias, sem ver qualquer possibilidade de melhora na vida. Pois a situação daqueles que pensam assim tende a piorar, pelo menos de acordo com as teses dos cientistas Charles R. Snyder, da Universidade de Kansas, e Robert Steer, da Universidade de Medicina de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Eles fizeram estudos comprovando que ter esperança ajuda a viver melhor e a encontrar saídas para as adversidades.
A tese, na verdade, não chega a ser novidade. A diferença é que o que não passava de sabedoria popular ganhou status de ciência. Além de Snyder e Steer, o especialista no cérebro Tony Buzan e o campeão de xadrez Raymond Keene, da Inglaterra, também estudaram o assunto e acabaram de elaborar uma Tabela de Esperança de Vida. O estudo deles diferencia um pouco dos demais, por se concentrar mais na esperança de vida, mas também aponta os caminhos para quem quiser viver melhor.
O doutor Charles Snyder também fez uma tabela, para medir o grau de esperança de cada pessoa e a sua capacidade para enfrentar os problemas e encontrar as soluções. O teste foi aplicado em mais de sete mil pessoas, de 18 a 70 anos, e 40% dos entrevistados disseram que têm esperança no sentido técnico. Isto é: além de ter fé, também acumulam energia e motivação.
Snyder estudou à parte os testes feitos com 3.920 estudantes e notou que o grau de esperança entre os que começam o primeiro semestre é um bom indicador do desempenho que terão ao longo do ano. Agora os cientistas se empenham num estudo para detectar se a esperança pode ser adquirida ao longo da vida ou se é algo inato. O doutor Steer diz num artigo publicado numa revista especializada americana que a maioria dos pacientes com doenças graves não se torna desesperançada se, antes da doença, levava uma vida à qual estava bem adaptada.


