Ano Novo sem champanhe para profissionais de plantão
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2004
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
''Já fiquei chateado por passar o Réveillon trabalhando. Hoje, não mais. Me habituei ao trabalho durante a virada de ano, nem sinto mais tanta falta de festa. Tenho uma obrigação a cumprir''. Em 29 anos de profissão, o médico Joaquim Alexandre Filho se acostumou a passar datas importantes sem a família e os amigos.
Na noite desta sexta-feira, ele estará atendendo no pronto-socorro da Santa Casa de Londrina. A profissão fez com que o médico mudasse de cidade várias vezes, até ele se instalar definitivamente em Londrina em 1986. Atualmente, Alexandre se desdobra entre o trabalho na Santa Casa e outro emprego em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina), onde sua família mora.
''Meus parentes vão passar o Réveillon por lá, enquanto eu vou atravessar a noite trabalhando'', conta o médico. ''A virada de ano é sempre complicada, tem muito acidente de trânsito com jovens, pessoas alcoolizadas. Não que seja muito movimentado, mas quando aparece algum caso, quase sempre é coisa complicada, ocorrências graves''.
Nesse cenário de tensão, no qual aparentemente qualquer coisa pode acontecer, há pouco espaço para comemorações. E elas têm que ser discretas. ''Os médicos, auxiliares e enfermeiros se abraçam, se cumprimentam, desejam um feliz Ano Novo. Mas champanhe, nem pensar. No máximo, a gente toma um suco'', explica Alexandre, sorrindo.


