São Paulo, 07 (AE) - A Idade da Razão não se refere ao romance de Jean-Paul Sartre, mas a uma mostra de cinema que ocorre de amanhã (08) a sexta, no Cineclube Vitrine, com sessões às 14, 16 e 18 horas. São 15 filmes programados, entre longas e curtas-metragens. Todos eles convergem para um núcleo temático: falam da terceira idade. Daí o subtítulo da mostra - Olhares sobre o Idoso no Cinema. A retrospectiva faz parte das comemorações do Ano Internacional do Idoso. Pessoas com mais de 60 anos não pagam ingresso.
Quem for, vai assistir a uma seleção das mais interessantes, sob qualquer ponto de vista. Há obras-primas como "Morangos Silvestres", de Ingmar Bergman, e "A Balada de Narayama", de Shohei Imamura. Bons títulos, como "Deuses e Monstros", de Bill Condon, "Assassino(s)", de Mathieu Kassovitz, e "A Arte de Viver", de Ang Lee. As atrações no formato curta-metragem são todas nacionais e vão desde o fundamental "A Velha a Fiar", de Humberto Mauro, aos mais recentes "Bolo", de José Roberto Torero, e "Cruz", de Cecílio Neto.
E é justamente com o programa de curtas que a mostra começa amanhã, às 20h30. "A Velha a Fiar" é um patrimônio do cinema nacional, uma espécie de precursor do videoclipe, com sua narrativa rápida, toda calcada em cima de uma canção popular que fala justamente do ciclo da vida e da morte. A curiosidade é que senhora idosa que protagoniza o filme é, na verdade, interpretada por um ator.
"Bolo", de José Roberto Torero, mostra Jofre Soares contracenando com Vanda Lacerda. Eles vivem um casal que se prepara para comemorar as bodas de ouro e expõe os ressentimentos de uma vida em comum. Mais amargo ainda é "Cruz", de Cecílio Neto, com Paulo Autran no papel de um senhor que venceu na vida e reencontra sua antiga amada numa situação nada favorável.
Como não é possível comentar todos os títulos, melhor ficar naquele absolutamente indispensável. "Morangos Silvestres", de Ingmar Bergman, traz o grande ator e cineasta sueco Victor Sj”str”m no papel de Isaac Borg, um velho médico que recebeu uma distinção acadêmica e deve atravessar o país para recebê-la. Borg chegou à velhice amargurado e desiludido. Durante a viagem, encontra espaço, e tempo, para reencontrar-se consigo mesmo, com seu passado, com suas culpas, com sua memória. Um exemplar perfeito do humanismo duro e comovente do grande Bergman. Serviço - A Idade da Razão - Olhares sobre o Idoso no Cinema. Amanhã, às 20h30, A Velha a Fiar, de Humberto Mauro; Bolo, de José Roberto Torero; e Cruz, de Cecílio Neto. R$ 5,00. Grátis para maiores de 60 anos. Cineclube Vitrine. Rua Augusta, 2.530, tel. 853-7684). Até sexta

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