Annaud filma redenção humana
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Celso Mattos 
Sete Anos no Tibet chega às locadoras abrindo a temporada dos filmes sobre budismo realizados recentemente. Outras produções como Justiça Vermelha, com Richard Gere, e Kundun, dirigido por Martin Scorsese, também devem ser lançadas em vídeo ainda este ano. Dos três filmes, Sete Anos no Tibet foi o que causou mais polêmica. Primeiro porque traz no elenco o astro Brad Pitt, no papel do alpinista austríaco Heinrich Harrer e, segundo, porque as filmagens foram bastante complicadas.
Inicialmente, as locações deveriam ser feitas na Índia, onde mora o Dalai Lama e por ser um país parecido com o Tibet, mas devido à pressão do governo chinês, as autoridades indianas recuaram e as gravações tiveram que ser transferidas para a Cordilheira dos Andes, na divisa da Argentina com o Chile. O motivo da ira chinesa deve-se à defesa emocionada que o filme faz em prol da independência do Tibet, ocupado desde 1950 pelo governo chinês que proibiu a prática do budismo no território.
Sete Anos no Tibet, dirigido pelo francês Jean-Jacques Annaud, responsável por outros bons filmes como O Nome da Rosa, Guerra do Fogo e O Amante, conta a história do egocêntrico alpinista Heinrich Harrer que em 1939 abandona a mulher grávida e parte para o Himalaia na tentativa de escalar seu pico mais alto. Depois de ser capturado pelo exército inglês durante a Segunda Guerra Mundial, ele foge de um campo de prisioneiros e acaba indo parar na cidade de Lhasa, santuário do budismo, em 1946. Lá, o alpinista se torna amigo e confidente do Dalai Lama, que na época tinha 14 anos.
A convivência com o garoto e com o budismo transforma o ambicioso e egocêntrico alpinista em um ser humano mais tolerante. Na verdade, Sete Anos no Tibet é um filme sobre a redenção. Sobre um homem mal que se torna bom ao entrar em contato com uma cultura completamente diferente. Dalai Lama nunca deixou de honrar sua amizade com Heinrich Harrer, mesmo depois de saber das ligações do alpinista com o Nazismo. Apesar de ter pinta de épico, Sete Anos no Tibet não obteve o sucesso esperado. A fita padece de um ritmo moroso e tudo parece muito superficial, inclusive o relacionamento entre o alpinista e o líder religioso.
A bela fotografia e a primorosa direção de arte vão perder um pouco de seu encanto na tela da televisão, o que deve deixar o filme ainda mais cansativo. De certa maneira, Sete Anos no Tibet não difere muito de Lendas da Paixão, parece ter sido feito para Brad Pitt brilhar mais uma vez. Porém, tem o mérito de contar um episódio pouco conhecido e, principalmente, chamar a atenção do mundo sobre a ocupação chinesa no Tibet. Ainda é muito cedo para afirmar se a indústria cinematográfica será capaz de modificar o quadro político no Tibet, mas a tentativa já vale a pena. Outros filmes em fase de produção como Buddha from Brooklyn e Windhorse também vão tratar desse assunto que, pelo jeito, promete muitos metros de celulóide.
Lançamento da Top Tape. Duração: 2h11.


