Ânimos sob controle
A linha mais didática que o festival está seguindo nesta edição também se estendeu mais enfaticamente à formação de público. Pela primeira vez, foi proibido o consumo de lanches e bebidas no interior do Centreventos Cau Hansen, que tem capacidade para quatro mil pessoas. Os telões próximos ao palco continuamente exibiam mensagens pedindo para o público aplaudir apenas no final das apresentações, além dos locutores solcitarem ao público que ''segurassem as emoções'' na hora de suas manifestações de apoio, principalmente nas apresentações competitivas.
''A gente até entende que a maioria do público do festival é formada por adolescentes que está cheio de energia, apetite, mas isso não justifica a confusão que muitas vezes acontece na hora das apresentações, com pessoas até fazendo 'guerrinha de pipoca'. Estamos incrementando a questão didática e o comportamento do público também é educação e depende de um processo. Tudo é informação'', afirmou o diretor-executivo Ely Diniz.
E a prova de fogo foi na esperada Noite de Gala, realizada na última segunda-feira, em que se apresentou o grupo Raça Cia. de Dança, de São Paulo, com as belas coreografias ''Novos Ventos'' e ''Caminho da Seda'', da coreógrafa Roseli Rodrigues, ovacionado pelo público.
Mesmo com o intervalo de 15 minutos entre as apresentações, muita gente não se conteve e acabou levando sacos de pipoca escondidos na bolsa ou dentro dos casacos. Isso foi possível porque os pipoqueiros se organizaram e substituíram as tradicionais caixinhas por saquinhos de papel. Revoltada, a vendedora de pipocas Ivone Peixa, que trabalha no evento desde a sua primeira edição, disse que esse foi o jeito para tentarem diminuir o prejuízo. ''Estou revoltada. Já fui reclamar no rádio, na televisão, mas não teve jeito. As minhas vendas diminuíram 60%'', afirmou. O tom de desânimo também foi seguido pela colega Beatriz Alves, que há três anos e meio trabalha no local vendendo cachorros-quentes. ''Estou vendendo 50% menos e sinceramente espero que essa regra mude'', reclamou.
Na sua barraca, estava a bailarina Lívia Martinez Venas, de 15 anos, que degustava um cachorre-quente. ''Achava melhor quando podia comer lá dentro e não acho que isso atrapalhe os bailarinos. Do palco, não dá para ver ou ouvir nada'', destacou.
A professora de balé e jazz Rosely Slomsky, que há 18 anos participa do evento, comentou que entende a nova norma, que segue o que acontece em outros teatros do país, mas, mesmo assim, não resistiu e dentro da bolsa escondia um pacote grande de pipocas. ''Tá muito frio, né?'', argumentou. Pelo jeito, ainda vai levar um tempo para que o público perceba que determinados tipos de arte também exigem uma postura mais adequada de quem aprecia.
A jornalista viajou a convite da organização do 23º Festival de Dança de Joinville





