Rio, 14 (AE) - O animador americano Mike Belzer, da equipe de Tim Burton, passou seis meses trabalhando em "O Estranho Mundo de Jack", que resultaram em sete minutos na tela. Ele é apaixonado por stop motion, a técnica usada no filme que consiste em dar vida a bonecos de massa, papel, madeira ou qualquer outro material e vai passar seus truques nos workshops que realiza no Rio (esta semana) e em São Paulo (entre os dias 21 e 25) dentro do festival Anima Múndi.
"Pretendo mostrar making-offs e ensinar a fazer bonecos
a criar luz e cenários para histórias", diz ele que, depois de "O Estranho Mundo de Jack", esteve na equipe de "James, o Pêssego Gigante" e atualmente trabalha para a Disney na versão em desenho de "Parque dos Dinossauros", com lançamento previsto para julho de 2000. "Cada aluno fará seu boneco e terá oportunidade de animá-lo porque, mais do que passar o que sei, quero aprender com eles". Para Belzer, "em stop motion, não há o jeito certo e o errado de fazer e sim o melhor caminho para se chegar ao resultado desejado".
No caso de "O Estranho Mundo de Jack", ele fez a cena em que o personagem principal (um esqueleto de cemitério) dança com uma árvore, à maneira de Fred Astaire, e algumas de Sally, uma boneca de pano que é a mocinha da história. "Como toda mulher, sempre que eu tentava obrigá-la a se comportar de uma forma que ela não queria, Sally reagia e o desenho ficava mecânico, sem arte", lembra ele. "Sei que pareço meio louco falando isso, mas ela só fazia o que queria, não adiantava brigar". Para quem estranha seis meses de trabalho virarem parcos sete minutos de filme, ele lembra que o diretor de animação gastou três anos e o próprio Tim Burton demorou cinco ou seis entre terminar o roteiro e finalizar o filme.
"As crianças nasceram, foram para a escola e a produção não havia terminado". É por pura loucura, segundo Belzer, que as pessoas se dedicam a fazer stop motion, um tipo de animação que remonta aos primórdios do cinema. "Quando se desenha ou se faz computação gráfica, você pode redesenhar um quadro ou um detalhe de que não gosta", explica ele. "Em stop motion depois que o processo de animação começa, só dá para interromper quando acaba a tomada e, às vezes, é preciso jogar tudo fora por causa de um detalhe de câmera ou de luz". Ele reconhece que é como andar na corda bamba, mas é esse o grande fascínio.
"Você trabalha na criação do boneco, dos cenários, da história e, quando vai filmar, prende a respiração e torce para que dê certo e não seja preciso refazer tudo", comenta Belzer. Em "James, o Pêssego Gigante", é autor de quatro minutos, mas gostou de apenas duas tomadas, embora considere excelente o trabalho dos outros. "O filme é bom, mas meu trabalho poderia ser melhor". Os alunos de Belzer vão conhecer pessoalmente Mr. Grass (Sr. Grama) de "O Estranho Mundo de Jack", que ele trouxe para ilustrar a técnica. Na verdade, um dos 20 bonecos do personagem usados na produção. Ele tem cerca de 40 cm e a mandíbula pode ser removida.
"Nas filmagens ela é substituída de acordo com a fala do personagem e cada segundo exige 30 trocas, uma por quadro para a articulação das sílabas". Mike Belzer apaixonou-se por animação ao ver "Pinóquio", de Walt Disney. Melzer não conhece nada de animação brasileira, apesar de ter visto anuncio de filmes nossos em alguns festivais. "Este é um dos motivos de eu vir ao Brasil, porque sempre se ganha alguma coisa conhecendo a forma de trabalhar das outras pessoas".

mockup