Há uma década, o cinema de animação estava congelado. Pelo menos naquilo que se referia à engenhosidade. Mas então surgiu o ''Toy Story'' da Disney, e cada um dos grandes estúdios decidiu seguir o caminho apontado. Ou seja, explorar o filão da tecnologia em 3-D e carregar nas tintas da ironia para converter os filmes em objetos de desejo não apenas para crianças, mas para os adultos também. Foi assim que ''Shrek'' se converteu no emblema da Universal e ''A Era do Gelo'' no da Fox.
Graças ao êxito de ''A Era do Gelo'' e de ''Robôs'' (e ao mais do que previsível deste ''A Era do Gelo 2''), o Blue Sky Studio é hoje o mais forte competidor da Pixar, até o momento soberano na animação digital, o gigante sediado em Nova York, e não em Los Angeles.
Parte desta sólida posição de rivalidade se deve a Chris Wedge, diretor dos primeiros títulos da Blue Sky, diretor de criação e co-fundador do estúdio. É um veterano, formado na Disney e pioneiro na animação computadorizada com ''Tron'', de 1982. Oscarizado em 2002 com o curta ''Bunny'', foi com esta autoridade que em seguida partiu para fazer ''A Era do Gelo.''
A fórmula e o desafio para Wedge, neste momento de euforia que vive o cinema de animação, é ser original e ao mesmo entreter. Sobre seu grande rival, a Pixar, e a pressão que esta rivalidade pode causar, afirma com elegante evasiva: ''A única pressão é do tipo criativo. Êxitos ou fracassos da Pixar não mudam nossa estratégia. Nosso objetivo é fazer os melhores filmes que pudermos, e se eles também fazem bons filmes, vamos tentar fazer
ainda melhores''.
Para que ''A Era do Gelo 2'' fosse realizado, cerca de 200 pessoas trabalharam ao longo de quase três anos. Vieram de vários cantos do mundo e a idade média não passa dos trinta. Um desses jovens é o brasileiro Carlos Saldanha, assistente de direção no primeiro filme e agora com ''up grade'' como diretor da sequela. Ele faz coro com Wedge a respeito da pressão em nível criativo, e acrescenta certo ceticismo em relação à evolução tecnológica: ''Ela é muito mutável, e no fim das contas não deixa de ser um pincel para dar forma à criatividade. Mas também é certo que, à medida que a tecnologia evolui, os orçamentos serão reduzidos e poderemos então partir para projetos mais intimistas de qualquer gênero.''(C.E.L.J.)

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