Os ratos, sempre os ratos. Desde que Mickey nasceu há 80 anos, a espécie animal se converteu em indiscutível estrela do cinema de animação protagonizado por bichos antropomórficos. O mais recente a se juntar a esta extensa lista é ''O Corajoso Ratinho Despereaux'', em lançamento nacional.
Despereaux Tilling sonha viver grandes aventuras e protagonizar façanhas inéditas. Seu mundo encontra-se no reino humano de Dór, há muitos anos dominado pela maldição da tristeza. A valentia de Despereaux é a única esperança dos habitantes do lugar, que sonham em ter novamente uma vida luminosa e alegre.
O claro modelo para o personagem é Dom Quixote. Da mesma forma que o fidalgo cavaleiro, o livro de cabeceira de Despereaux é uma novela que o faz desejar o papel de um honorável cavaleiro entregue à nobre missão de salvar princesas em perigo. Outra referência é que em Dór o prato principal é a sopa, o que imediatamente remete a ''Ratatouille''.
A história de Despereaux é claramente um conto sobre o valor, o perdão e a esperança. Seria, acima de tudo, uma narrativa para os menores espectadores da família que nessas ocasiões costuma ir junta ao cinema. Mas estranhamente o aclamado livro infantil de Kate Di Camillo não mereceu tratamento adequado no roteiro de Gary Ross e na direção de Sam Fell e Stevenhagen.
Tudo é muito complicado, profundo em demasia, demasiado pretensioso, inexplicavelmente sério, como se a preocupação dos realizadores fosse a reinvenção do gênero capa-e-espada. Menos mal que a animação é impecável, e não há como não se tornar cúmplice da simpatia do personagem central.
Pena que somente esteja disponível aqui a cópia dublada, porque o elenco de personalidades que emprestou a voz na versão original é legítimo dream team: Matthew Broderick (Despereaux), Dustin Hoffman, Emma Watson, Kevin Kline, Christopher Lloyd, Frank Langella, Rob Coltrane, Stanley Tucci, Willian H. Macy, Sigourney Weaver.

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