Animação narra amizade entre garoto e girafa
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quinta-feira, 08 de agosto de 2013
Ricardo Calil<br>Folhapress 
São Paulo - Uma semana depois de "Contos da Noite 3D", estreou em São Paulo "Zarafa", mais uma animação artesanal francesa e, neste caso, em 2D - ou seja, outro filme na contramão da indústria digital.
Embora não possua o mesmo nível de originalidade estética e narrativa dos "Contos" de Michel Ocelot, a obra dos diretores Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie tem atrativos suficientes para interessar a crianças e adultos.
Às primeiras, oferece um universo com um herói infantil, animais selvagens, lugares exóticos e aventuras fabulosas (inspiradas na obra de Julio Verne).
Aos segundos, um olhar crítico sobre o passado francês, adaptando livremente a história real da primeira girafa levada a Paris, um presente do paxá do Egito ao rei Carlos 10 em 1827.
No Sudão, aos pés de um baobá, um senhor conta a um grupo de crianças a história da amizade entre o menino sudanês Maki e uma jovem girafa conhecida como Zarafa. A partir daí, a trama central se desenrola na tela.
Preso como escravo por um traficante francês, Maki escapa e foge com a ajuda da girafa. Mas o traficante os alcança e mata a mãe do animal (em uma cena que, pela crueldade e tristeza, remete diretamente a "Bambi").
Nesse momento, aparece em cena o beduíno Hassan, que afugenta o traficante e captura a girafa para entregá-la ao paxá no Egito. Maki o segue para cumprir promessa feita à mãe de Zarafa: levar o animal de volta à terra natal.
As aventuras que irão levá-los até Paris incluem vacas indianas gêmeas, uma viagem em um balão pilotado por um cientista maluco, um bando de piratas liderado por uma grega maternal - histórias que poderiam ter saído das páginas de Verne.
Mas, por trás dos traços delicados da animação e nostálgicos da história, há também uma crítica à brutalidade da colonização francesa e à frivolidade da aristocracia local (que adota a girafa como uma moda curiosa, para logo após esquecê-la).
O antídoto a isso, nos sugere o filme, é um multiculturalismo tolerante, que abrace diferentes etnias e religiões, que una África e Europa. Nesse sentido, "Zarafa" é também um filme político, atento ao presente.


