Sempre de olho no atraente segmento das bilheterias infantis - e criança nunca vai ao cinema sozinha -, distribuidores e exibidores já começam a por a mesa para o banquete das férias. E embora o prato principal para os menores esteja previsto para daqui a quinze dias, quando ‘‘Star Wars - O Ataque dos Clones’’ invadir o mercado, alguns aperitivos já estão sendo servidos a partir de agora.
Em pré-estréia neste final de semana em todo o país (veja a programação de cinema na página 2), dois desenhos animados de longa metragem fazem por antecipação a abertura da temporada de lazer cinematográfico. E reafirmam, como vem ocorrendo nos últimos anos, a disposição dos selos Disney e DreamWorks de acirrar e perpetuar uma disputa com lances ferozes de canibalismo tipicamente hollywoodiano, obviamente despercebidos pela clientela específica que deve lotar as salas sem se dar conta desta guerra tipicamente capitalista.
Com a bandeira Disney, e em lançamento simultâneo nos Estados Unidos, ‘‘Lilo & Stitch’’ conta as aventuras de uma dupla improvável mas por isso mesmo simpática. Lilo, uma garotinha havaiana de 5 anos, vê o mundo com olhos diferentes. Ela tem certa fixação em cuidar de pequenos animais. Por exemplo: recolhe latas e garrafas na praia, vende para reciclagem e com o dinheiro compra comida, pega um barco e no mar alimenta os peixes.
Enquanto isso, numa galáxia distante, autoridades alienígenas prenderam o mais perigoso dos animais e vão deportá-lo num foguete para um planeta-prisão. E assim Stitch vai parar no Havaí.
Na outra ponta da concorrência está ‘‘Spirit - O Corcel Indomável’’, realizado pela DreamWorks a partir de mão-de-obra técnica e artística em boa parte aliciada ou dissidente dos estúdios Disney. O filme, apresentado fora de concurso no recente Festival de Cannes, muito mais por conta do enorme sucesso de ‘‘Shrek’’ ano passado do que por suas qualidades, mostra a trajetória de um cavalo selvagem no Oeste americano, suas disputas com um coronel da cavalaria, a amizade com um índio Lakota e o romance com uma bela de sua espécie. Quase sem diálogos, ‘‘Spirit’’ foi realizado com predominância da animação tradicional, ‘‘feita à mão’’, com pouca utilização de recursos digitalizados. O filme procura constante apoio na trilha musical de Hans Zimmer (‘‘O Rei Leão’’) e nas canções de Bryan Adams.(C.E.L.J.)

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