Anemia pop
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 1999
Nelson Sato 
As lições inventivas da década de 60, o aceno à eletrônica ou as fusões com gêneros musicais díspares parecem garantir um destino menos nebuloso para as bandas de rock. É uma visão de futuro a que muitos recorrem para combater os coveiros da trinca guitarra-baixo-bateria que fazem plantão nas revistas moderninhas européias.
ReproduçãoBuffalo Tom: vocais pungentes e baladas doloridasMas garimpar bandas que realmente se impõem em meio à enxurrada de lançamentos, exige critérios flexíveis. Afinal, poucas se destacam da média anêmica. A britânica Kula Shaker e a norte-americana Buffalo Tom não escapam do desolador panorama, ostentando os vícios de todas as bandas de segunda ou terceiro escalão de seus respectivos países.
Ambas estão com discos novos no mercado brasileiro: kula Shaker com Peasants, Pigs & Astronauts(Sony Music) e Buffalo Tom com Smitten(Roadrunner). A primeira despertou entusiasmo há três anos, quando estreou com o álbum K combinando psicodelismo, mantras indianos e influências dos anos 70.
ReproduçãoPeasants, Pigs & AstronautsO disco vendeu 1 milhão de cópias e transformou o vocalista, guitarrista e compositor Chrispin Mills em ídolo da garotada inglesa. O novo trabalho segue a fórmula anterior, adicionada de vocais gospel e um órgão insistente e datado. O disco foi gravado no estúdio de David Gilmour, o guitarrista do Pink Floyd. Não por acaso, o produtor do álbum é Bob Ezrin, que trabalhou com os Floyd em The Wall.
Mais modesto, o Buffalo Tom faz parte daquelas bandas de som honesto que devem proliferar às dezenas em cada cidadezinha do interior dos Estados Unidos. A diferença é que algumas conseguem despontar com uma canção, um clipe ou um lampejo imponderável que faz com que estejam na hora certa, no lugar certo, blablablá.
ReproduçãoSmittenNo novo trabalho, o grupo de Massachusetts reitera a receita dos cinco discos anteriores investindo em vocais pungentes, baladas doloridas e um pé no folk rock. Uma das faixas traz participação de Carol Van Dijk, vocalista do grupo Bettie Serveet. Smitten dá até para encarar, contanto que não se exija comentários críticos mais refinados depois da audição.


