"Andando nas Nuvens" aposta no romantismo e diversão para levantar o horário das 19
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Fátima Cardeal 
São Paulo, 23 (AE) - Há pelo menos três anos, desde "Salsa e Merengue", a Globo não exibe uma boa novela às 19 horas. É cedo para afirmar que "Andando nas Nuvens" veio para resgatar o riso das comédias de Silvio de Abreu, para citar um autor que costumava acertar a mão nos melhores tempos desse horário. Mas o primeiro capítulo, exibido ontem (22), tem ingredientes adequados para isso: bom elenco e uma trama central instigante, que abre possibilidades.
A boa escalação de elenco já é um avanço em relação às outras novelas exibidas atualmente. Com Marco Nanini como protagonista não há jeito de errar. Até papel de paciente em estado de coma ele faz bem. Nanini vai divertir e emocionar como Otávio Montana, que sai da letargia após 18 anos e entra em choque com a modernidade.
O reencontro com a família, da qual não se lembra, promete momentos ao mesmo tempo emocionantes e engraçados. E nessa família está Débora Bloch, com quem Nanini, não é de hoje, joga um bolão, seja nas comédias globais, no cinema ou nos palcos. Débora faz par com Marcos Palmeira, outra parceria já testada e aprovada. Otávio Augusto, Cláudio Marzo, Viviane Pasmanter, Nicette Bruno, Hugo Carvana e Tonico Pereira também afinam o time.
O autor, Euclydes Marinho, estréia no gênero com a bagagem de quem conhece a linguagem de vários públicos. Afinal, em seu currículo, recheado de seriados, constam da pueril "Confissões de Adolescente" (Cultura e Band) à policial "A Justiceira", da Globo. Antes de virar autor famoso, Marinho trabalhou em redação de jornal. Parece que faz tempo que não pisa numa. Comete o erro de outros autores, que retrataram o ambiente e os profissionais de imprensa de maneira fantasiosa.
A situação que envolveu os jornalistas interpretados por Débora e Palmeira na estréia só é comum em filme americano. Ou alguém acha que jornalistas conseguem entrevistas difíceis invadindo quartos de hotéis luxuosos vestidos com uniformes de camareiras e garçons? Ou que colegas de veículos concorrentes chegam a arrancar pedaço de orelha um do outro por causa de um furo de reportagem?
Exageros à parte, Débora e Palmeira funcionam no estilo a gata e o rato a que o autor se propõe. E Marinho esboça sensibilidade para injetar romantismo a temas da era da globalização. Vai precisar mesmo de muita criatividade para recuperar o prestígio do horário, que anda em crise de audiência. Começou com 36 pontos no Ibope. A novela anterior, "Meu Bem-Querer", estreou com 39 pontos, em 4 de agosto, e acabou com 40, no sábado.


