"Quem quer, não a liberdade, mas o Estado, não deve brincar de Revolução." A frase, uma das mais citadas do ativista e teórico anarquista russo Mikhail Bakunin (1814-1876), sintetiza uma das bases do pensamento libertário, corrente surgida no século 19 e que até hoje inspira militantes do mundo inteiro.
Rival de Karl Marx, outro barbudo inimigo do capitalismo, Bakunin continua assombrando conservadores à direita e à esquerda do espectro ideológico. A comemoração de seu bicentenário gerou uma série de eventos pelo Brasil, sendo que o maior deles será um colóquio internacional marcado para novembro na USP.
No Paraná, o Coletivo Anarquista Luta de Classes (CALC) está coordenando encontros em algumas cidades. Hoje é o dia de Londrina receber os entusiastas da causa no evento "200 Anos Bakunin: O anarquismo organizado nas revoltas do presente", que acontece às 15h na Sala 108 do Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A proposta do encontro "é fazer uma apresentação sobre a vida e militância de Mikhail Bakunin, expor suas concepções teóricas sobre transformação e organização social e discutir sua importância no anarquismo organizado e nas lutas populares de hoje", explica por e-mail uma das ativistas, que preferiu não se identificar alegando que as respostas às perguntas do repórter foram elaboradas coletivamente.
Guru antiautoritário, Bakunin opôs-se ferozmente a Karl Marx, com quem disputava a liderança dos trabalhadores. Enquanto seu adversário defendia a conquista do poder político pela classe operária, ele apregoava a abolição do Estado. "Se você pegar o mais ardente revolucionário, e investi-lo de poder absoluto, dentro de um ano ele seria pior que o próprio Czar", dizia.
"Ele defendeu a importância de que os anarquistas se organizassem política e ideologicamente para atuar como minoria ativa nos movimentos sociais", salienta a ativista do CALC. "Foi fundamental para a organização dos trabalhadores e para conquistas trabalhistas na Europa do século XIX. Teve grande influência também para os processos revolucionários ocorridos no México, Ucrânia e Espanha no século XX. Além disso, podemos perceber seu legado nas revoltas populares de junho e julho de 2013, momento em que o anarquismo voltou a ter destaque nos movimentos de massa."
O Coletivo Anarquista Luta de Classe foi fundado em 2010, integrando-se à Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), que é composta por nove organizações no Brasil e com influência direta da Federação Anarquista Uruguaia (FAU). O evento em homenagem a Bakunin já teve edições em Curitiba, Maringá e Campo Mourão. Nos próximos meses, será realizado nas cidades de Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Cascavel.

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