Anarquismo com ecologia
Grupo de jovens de Londrina defende idéias anarquistas e vai à luta na proteção dos animais
Nelson Sato

Josué de CarvalhoGrupo anarco-ecologista de Londrina: organiza manifestações e edita fanzinesO caso da duplicação da ovelha ‘‘Dolly’’ deixou muita gente indignada. A clonagem, no entanto, parece ter enfurecido muito mais os militantes ecologistas contrários à exploração de animais.
Em Londrina, por exemplo, acaba de ser criado um grupo de jovens ativistas que tem como bandeiras de luta não só as causas ambientalistas mas principalmente a defesa da ‘‘igualdade entre todos os seres vivos’’.
‘‘Nossa intenção é lutar pela preservação das espécies e mostrar que os animais têm o mesmo direito à vida que os homens’’ - diz Alexandre Carbonieri. ‘‘Defendemos idéias anarquistas e lutamos pelas causas políticas e sociais. Queremos apagar a imagem de que os ecologistas são burguesinhos que não têm o que fazer’’ - completa Rodrigo Frota.
Para isso, eles pretendem conscientizar a população sobre comida natural e as variadas formas de crueldade imposta aos animais seja para extração de carne e leite, produção de roupas ou para servir de cobaias em laboratórios científicos.
O grupo, que está aberto a novos membros, foi batizado de ADAE (Anarquistas em Defesa dos Animais e da Ecologia). Antes de oficializá-lo, alguns de seus integrantes já organizavam manifestações pontuais como passeatas no Dia da Independência do Brasil, protestos no Dia do Trabalhador e panfletagens no Dia Internacional da Mulher.
Carne ‘‘Tentamos mostrar à população o que, de fato, ocorreu em cada uma dessas datas. Procuramos desmistificar essas comemorações’’ - explicam. Agora, com a inclinação ecológica do grupo, eles pretendem atacar sem tréguas os rituais de torturas e maus-tratos sofridos pelos animais.
‘‘Somos contra as vaquejadas e a farra do boi’’ - enfatiza Rodrigo. ‘‘Esses eventos, que algumas pessoas insistem em caracterizar como festas folclóricas, fazem parte na verdade da boçalidade da moda cowboy. São jeitos estúpidos de se divertir. Querem diversão? Por que não montam numa vaca mecânica?’’ - esbraveja ele.
Embora sejam vegetarianos em sua maioria, apenas dois componentes do ADAE se assumem como straight edge, nome dado ao movimento de jovens que não comem carne, não usam drogas ou álcool e são adeptos do hardcore (estilo musical oriundo do punk).
As diferenças de filosofia de vida, no entanto, convergem para uma postura comum no diz respeito à dieta alimentar. Rodrigo lembra que ‘‘o organismo humano não foi adaptado para digerir a carne, que fica horas no estômago’’. E acrescenta: ‘‘Não tiramos essa idéia do nada. Está comprovado que a carne faz mal à saúde. Há toda uma literatura científica a respeito disso’’.
Instalado numa sede improvisada, o grupo planeja lançar um fanzine brevemente e organizar palestras em escolas. A quem se interessar, o endereço para contatos é: Rua Virgílio Jorge, 345 - Jardim Sam Remo - Londrina - PR - CEP 86062-260.

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