Ana de Hollanda assume pressionada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de janeiro de 2011
Das Agências 
A nova titular do Ministério da Cultura (MinC), Ana de Hollanda, 62, mal esquentou a cadeira e já recebe pressões de diversas entidades da área cultural. Pressões que ela terá que administrar com o recurso enxuto de R$ 2 bilhões anuais.
No ato da posse, a ministra recebeu uma Carta Aberta com cerca de 400 assinaturas de entidades (ONGs, centros de cultura, universidades, orquestras) pedindo atenção a certas conquistas do MinC nos últimos oito anos. A carta salienta que as entidades não aceitam recuo em alguns pontos que consideram avanços, como os Pontos de Cultura, o Fórum da Cultura Digital, o Fórum de Mídia Livre, o desenvolvimento de softwares livres, a iniciativa de revisão da lei de direitos autorais e o Marco Civil da Internet, entre outros.
Ana, simpática à gestão de direitos autorais feita pelo Ecad, encontrará resistência pela frente. ''Entendemos que a legislação em vigor é inadequada para representar a pluralidade de interesses e práticas que giram em torno das economias intelectuais. A esse respeito, a lei brasileira adota padrões exacerbados de proteção, sendo significativamente mais restritiva do que o exigido pelos tratados internacionais ou mesmo que a legislação da maior parte dos países desenvolvidos, como EUA e Europa. Com isso, representa hoje significativos entraves para a educação, inovação, desenvolvimento e o acesso, justo ou remunerado, às obras intelectuais.''
A ministra disse que pretende reexaminar o projeto de revisão da Lei do Direito Autoral que está na Casa Civil do governo. ''Quanto aos direitos autorais, é necessário rever os prós e contras.'' ''Sou leiga nesse assunto e por isso chamarei especialistas para fazer essa reavaliação. Quanto à Lei Rouanet, também polêmica, é a mesma coisa: é preciso rever, temos que ampliar a força da cultura.'' Os signatários da Carta Aberta dizem temer que a participação ampla que deu origem aos textos seja substituída por ''comissões de notáveis'' ou ''juristas'' responsáveis por dar sua visão parcial sobre o tema.
Outra visão das entidades culturais: por ser uma entidade que arrecada mais de R$ 400 milhões por ano ''em nome de todos os músicos do País e cujas atividades não estão sujeitas a nenhum escrutínio público'', o Ecad requer fiscalização. ''Vale lembrar que o Ecad foi alvo de CPIs, bem como se encontra sob investigação da Secretaria de Direito Econômico, por suspeita de conduta lesiva à concorrência. Acreditamos que garantir maior transparência e escrutínio ao seu funcionamento só trará benefícios para toda a cadeia da música no País (...).''
Para os grupos que advogam essas posições, os últimos anos viram um avanço significativo na assimilação por parte do MinC da importância da cultura digital. ''É um caminho sem volta.''


