A cantora Ana Carolina tem 24 anos, carreira profissional variando entre quatro a cinco anos, e uma surpresa que ela está administrando, mas que ainda não perdeu o impacto - a inclusão da música ‘‘Garganta’’, do seu primeiro CD, que está em fase de lançamento, na trilha da novela das sete da TV Globo. Por mais que sonhasse com as possibilidades da vida artística, nunca imaginou um veículo como esse.
Ana Carolina está encantada - e não esconde isso de ninguém. Ela se diz surpresa até agora com a boa nova da emissora. Música tem que ser feita para as pessoas ouvirem. Quanto mais gente melhor, foi um comentário que ouviu e que ela guarda com respeito. Estar na trilha sonora de ‘‘Andando nas Nuvens’’ é um encontro perfeito ao pensamento.
‘‘Garganta’’ tem uma história incomum. Totonho Villeroy criou-a durante um show de Ana Carolina em Belo Horizonte. Ele estava no auditório, e quando foi cumprimentá-la no camarim, deu-lhe a música de presente. A cantora custou a acreditar: ‘‘A letra tem muito a ver comigo. Sou filha única e sem pai, fui criada eu comigo mesma’’.
O contato com a BMG Ariola vem de um ano. Foi quando ela entrou no estúdio para gravar um CD demo com cinco faixas. A empresa distribuiu o disco no meio artístico, e em resposta vieram músicas oferecidas por compositores como Arnaldo Antunes e Paulinho Moska. Resultado: as cinco canções gravadas como demonstração permaneceram no repertório e foram incluídas mais dez.
‘‘Estou super feliz com meu trabalho, porque ele foi feito com muito carinho, muito esmero’’, diz a moça. Fã de Ed Motta (‘‘o maior cantor do Brasil’’), de Lenine, Pedro Luiz, Bethânia e Pedro Camargo, colocou no disco não só canções inéditas de sua e outras autorias, como ‘‘Alguém me Disse’’, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, que foi um dos grandes sucessos de Anísio Silva, no final dos anos 50.
De Chico Buarque e Tom Jobim escolheu ‘‘Retrato em Branco e Preto’’ e de Chico com Edu Lobo, ‘‘Beatriz’’: a primeira pinçada dos anos 60 e a segunda dos 70. Essa variedade musical representativa de diferentes épocas reflete o gosto de Ana Carolina, que não se fixa neste ou naquele movimento. Ouve de tudo, mas dá a sua marca naquilo que canta.
A diversidade está na carreira iniciada aos 20 anos. ‘‘Fiz coisa pra caramba’’, comenta. Abriu show de Ray Conniff e sua orquestra, de famosos intérpretes nacionais e hospedou-se ‘‘em hotéis maravilhosos e noutros onde só tinha rede’’.
Agora todo seu interesse está voltado para a divulgação do CD. A empreitada de tornar o disco cada vez mais conhecido impossibilita, de imediato, a realização de um show. Um dos programas já gravados pela jovem é o ‘‘Planeta Xuxa’’.

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