Para a bailarina Ana Botafogo, a vinda escola do Bolshoi vai contribuir para o que o bailarino tenha um aprendizado correto
Arquivo FolhaAna Botafogo: ‘‘Não se torna artista da noite para o dia; isso só vem com maturidade’’Unidade. Esta é a principal qualidade que a Escola do Bolshoi deve trazer para os bailarinos brasileiros, segundo a primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Para Ana Botafogo, a vinda do balé russo para Joinville transformará a cidade não só num pólo de ação para a dança no País, mas também trará uma oportunidade para que os novos bailarinos possam ter uma linha de ensino.
‘‘É muito importante que o bailarino tenha um aprendizado correto’’, explica Ana. ‘‘Muitas vezes a pessoa não tem acesso à informação e por isso enfrenta dificuldades na hora da concorrência. Ela é muito grande. E a linha de ensino pode facilitar o seu acesso num grupo que trabalho com a unidade, a uniformidade dos movimentos’’.
A bailarina conta que quando começou na carreira, ainda em 77 no Ballet Guaíra, trabalhou com uma companhia muito jovem. E que quando foi para o Teatro Municipal passou por vários diretores e professores, para se preparar para cada papel.
‘‘Eu levava no mínimo quatro meses, ensaiando para fazer um único personagem’’, conta Ana. ‘‘E isso sempre foi uma coisa muito burilada. Você não se torna artista da noite para o dia. Isso só vem com a maturidade’’.
Maturidade que, como explica Ana Botafogo, já é reconhecida nos brasileiros até mesmo fora do país. Ela explica que o balé do Brasil tem um conceito bom no exterior, principalmente no que se refere às companhias contemporâneas.
‘‘São elas que normalmente saem mais’’, esclarece a bailarina. ‘‘Porque em termos de balé clássico, saímos apenas nós, os primeiros bailarinos, individualmente. Somos um país jovem, que dança muito bem. Mas no meu ponto de vista, para sairmos com uma companhia inteira teríamos que levar uma coisa mais brasileira. Um nome como o de Jorge Amado, por exemplo. Muito mais interessante do que os clássicos que eles já conhecem muito bem’’. (V.A.)

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