Como acontece na vida, no palco eles também não têm um roteiro pré-estabelecido. O improviso, mais do que simples arte, é a melhor maneira de lidar com algumas situações. Mas chegou a oportunidade do Grupo de Teatro Para Atores Especiais (GTPAÊ) realizar um sonho e se apresentar fora de casa.
O elenco de 12 atores, com idades entre 21 e 38 anos, embarca nesta sexta-feira para o Rio de Janeiro, onde apresentam a peça ''Cenas da Vida'', no Teatro Noel Rosa, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
A expectativa é grande: ''Pela primeira vez eu vou viajar de avião. Estou bastante ansiosa com os preparativos. Será uma oportunidade importante na minha vida'', comenta a atriz Bárbara Carolina Galão Palma, 22 anos.
A apresentação faz parte da programação do ''Teatro e Diversidade'', evento organizado pelos londrinenses e o Teatro Novo, de Niterói, grupo que existe há 20 anos e que inspirou a criação do GTPAÊ.
O Rio de Janeiro será a primeira cidade em que o grupo se apresentará com patrocínio da Lei Rouanet, através de um projeto de circulação nacional.
Também está prevista uma apresentação dia 27 de julho em Campinas (SP) e turnês em Curitiba, Florianópolis e Maringá, além de uma volta aos palcos londrinenses. Porém, as últimas apresentações ainda dependem de apoios.
O GTPAÊ foi criado pela ex-professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Solange Leme Ferreira, como projeto de extensão universitária. Depois, o grupo se tornou independente.
''A peça mostra a trajetória de uma adolescente que foge de casa e conhece um traficante. Paralelamente acontecem outras histórias. Os atores não trabalham com um texto pronto, mas seguem um roteiro. O elenco deu ideias sobre personagens, improvisando nas cenas. Uma das atrizes sugeriu uma prostituta. O argumento foi de que ela também sofre preconceito, como os deficientes, o que nos convenceu sobre a importância da personagem'', comenta a diretora do espetáculo Fernanda Ferreira, que é filha de Solange.
''Sempre digo que para trabalhar com os nossos atores não é preciso habilidade, mas gostar e ter amor ao que faz. É necessário respeitar as limitações e valorizar as capacidades, entre as quais não ter vergonha de se expor'', acrescenta.
Esta mesma dedicação é correspondida pelos integrantes, como Bárbara Carolina. A mãe da jovem, a professora Marilene Galão Palma, 50 anos, considera fundamental a participação da filha no GTPAÊ.
''Houve uma mudança grande na Bárbara. Era uma garota que não tinha vaidade e agora está escolhendo as roupas, querendo ir ao cabeleireiro. O teatro abriu as portas para a minha filha, que hoje trabalha em uma loja. Agora realizará o sonho de viajar de avião''.

mockup