Ampliação da área e ecoturismo
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Liana John <br> Agência Estado<br> De Campinas 
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado no cerrado goiano, foi ampliado de 60 para 220 mil hectares. A nova área incorporada à unidade de conservação protege a Serra do Pouso Alto, onde nasce o Rio Preto, que atravessa o parque e garante boa parte da água disponível no local. Segundo o diretor de unidades de conservação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ricardo Bonfim Machado, ''a ampliação resgata um pouco da história do parque e é o primeiro passo para seu reconhecimento como Patrimônio Natural da Humanidade, pela Unesco''.
O parque foi criado em 1961, com 600 mil hectares, tendo sido reduzido duas vezes - em 1972 e 1981 - até ficar com apenas 10% da área original. Sua história, assim como a história da ocupação humana daquela região, estão no livro ''Chapada dos Veadeiros - Goiás: Berço das Águas do Novo Milênio'', do arquiteto e ambientalista Miguel von Behr. A edição é uma parceria do Ibama, onde o autor trabalha há 20 anos na gestão de unidades de conservação e proteção ambiental, com a Universidade de Brasília, onde ele fez sua tese de mestrado em urbanismo. O patrocínio é da Infraero e do governo estadual de Goiás. A obra foi lançada na V Bienal Internacional do Livro da Bahia, em Salvador.
São 180 páginas de um livro de alto padrão gráfico, com fotos também de von Behr, feitas desde 1993, em várias visitas à região. ''Começo com a pré-história, mostrando as inscrições rupestres, petroglifos e vestígios de ocupação, que datam de 11 mil anos atrás e chego até os dias atuais, falando da preservação do cerrado e do ecoturismo como alternativa sustentável'', resume o autor. A Chapada dos Veadeiros passou por um ciclo de extração de ouro e outro de garimpagem de cristais, que deixaram buracos na paisagem, ''felizmente feitos com ferramentas rudimentares, de forma superficial, com menos impacto do que têm hoje os garimpos mais bem equipados'', acrescenta.
Depois veio o ciclo do trigo e da pecuária, esta responsável pelos maiores índices de destruição da vegetação de cerrado. A alternativa econômica da vez é o ecoturismo, que pode conviver sem grandes conflitos com o parque, com as comunidades tradicionais, algumas das quais já racionalizaram a coleta de plantas de cerrado e a produção de artesanato, e com as comunidades místicas que se instalaram na região a partir dos anos 80.
''A preservação do cerrado na Chapada dos Veadeiros é importante não só para proteger a imensa biodiversidade, mas porque as chapadas são as caixas d'água do Planalto Central brasileiro e, sem a vegetação, os recursos hídricos ficam comprometidos'', continua Miguel von Behr. Felizmente, segundo ele, a região conta com a colaboração de entidades ambientalistas de abrangência nacional, como o WWF (Fundo Mundial para a Natureza) e local, como a Liga Ambiental da Chapada, a Oca (Oficina de Ciências e Artes) e o Gama (Grupo de Apoio ao Meio Ambiente) - que vem trabalhando especialmente na educação ambiental e em alternativas econômicas sustentáveis para a população tradicional. ''A gestão ambiental está relacionada com os aspectos culturais, sociais e históricos de um lugar e não apenas com os aspectos naturais'', diz.


