AMOSTRA GRÁTIS
AMOSTRA GRÁTIS
poema de fraque
No termômetro azul
Da cidade comovida
Faze as pazes
Com a vida
Saúda respeitosamente
As famílias
Das janelas
Um balão vivo
Se destaca
Das primeiras estrelas
Lamparina às avessas
Do santuário da terra
Faze as pazes
As crianças brincam
(Oswald de Andrade)
erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
(Oswald de Andrade)
Quero ignorado
Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada spera
Tudo que vem é grato.
(Fernando Pessoa)
Quando era jovem
Quando era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,
E nada conseguido e intentado!
Mais velho, digo, com igual enfado:
Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada, feito e nada na intenção!
Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido:
Um dia virá o dia em que já não
Direi mais nada.
Quem nada foi nem é não dirá nada.
(Fernando Pessoa)





