ReproduçãoSamuel L. Jackson e Lynn Whitfield: numa trama de paixão, magia e morteA câmera passeia por um pântano, mostrando imagens coloridas e em preto-e-branco. Cenas confusas se fundem umas às outras como se fizessem parte de um passado distante. Logo se ouve uma voz de criança anunciando: ‘‘Eu tinha dez anos no verão em que matei meu pai’’. A explicação para essa confissão só será conhecida nos minutos finais do filme ‘‘Amores Divididos’’, que marca a estréia na direção da atriz Kasi Lemmons.
A história parece ter saído de uma peça de Tennessee Williams. Ambientado no sul dos Estados Unidos, ‘‘Amores Divididos’’ retrata como muita sensibilidade os traumas de uma família negra que, no início dos anos 60, levava a vida com muito conforto, mas pouca harmonia. Traição, discórdia, sedução e perda da inocência são os ingredientes principais deste filme que foi considerado um dos melhores do ano pelo Home Entertainment 98.
O pai em questão é Louis Batiste (Samuel L. Jackson), um médico que além de tratar de suas pacientes, também gosta de manter com elas contatos mais íntimos. No verão de 1962, as filhas Eve (Jurnee Smolett), de dez anos e a adolescente Cisely, que têm o pai como ídolo, descobrem as escapadas paternas. As tensões dentro de casa aumentam, acabando em tragédia. A princípio parece mais um filme como tantos outros. Mas a diferença está na direção que conduz a trama como muita leveza e humor, nunca exagerando nas tintas.
‘‘Amores Divididos’’ não é apenas para ser assistido, mas saboreado. É preciso saber acompanhar seu ritmo lento, sua fotografia primorosa e sua trilha sonora com canções de Ray Charles e Etta James. Apesar de contar uma história triste, em nenhum momento a direção se torna apelativa. É um filme que segue o ritmo normal da vida, alternando alegrias e tristezas em doses equilibradas. Em sua estréia na direção, a atriz Kasi Lemmons que atuou em ‘‘O Silêncio dos Inocentes’’, fez um filme simples, mas extremamente humano e poético. Outro ponto forte da fita é o elenco, com destaque para a garota Jurnee Smolett, que é uma grande revelação. Lançamento da Playarte. Duração: 109 minutos. (C.M.)

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