Levar uma viajante até Veneza usando as palavras para transportá-la. Fazer uma viagem imaginária parecer real para quem embarca nela. Trata-se, também, de uma viagem ao encontro do amor, realização infinitamente mais complicada que simplesmente transportar-se de um lugar a outro. Este é o teorema de difícil solução que o espetáculo argentino ‘‘Venecia’’ leva ao palco do teatro Zaqueu de Melo, hoje, às 19 horas.
Escrita por Jorge Accame e dirigido por Helena Tritek, ‘‘Venecia’’ conta a história de La Gringa, uma velha prostituta, quase cega, que tem como último desejo, antes de morrer, reencontrar o amor de sua vida, na velha cidade italiana dos canais e das gôndolas. Como não tem dinheiro, este é um sonho impossível. Para torná-lo realidade, três colegas prostitutas e um cliente da casa vão tentar empreender uma viagem imaginária, erigindo uma cidade feita de palavras e realizando um encontro com a substância da memória.
Misturando drama e nostalgia, sem perder de vista uma pitada de humor - afinal nada mais hilário e patético que o amor no extremo de uma vida e de distâncias tão irreconciliáveis - a peça gira em torno desse universo rarefeito, onde as tramas da lembrança e da imaginação forjam uma única realidade. O espectador passa a ser cúmplice e participante desta viagem, em que busca-se convencer uma das personagens de uma realidade inexistente e para a qual ele próprio é transportado.
A matéria-prima desta viagem imaginária é a mesma da poesia: a palavra. E poesia tem sido uma constante nos trabalhos da diretora argentina Helena Tritek. Antes de ‘‘Venecia’’ ela já montou cinco espetáculos partindo de obras literárias. Três deles, tiveram como texto poesias dos brasileiros Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado, e do poeta português Fernando Pessoa. A montagem vem a Londrina trazendo na bagagem sete premiações, recebidas de diferentes institutos e organizações argentinas. Por isso tudo, pode-se esperar deste ‘‘Venecia’’ uma obra com densidade poética e dramatúrgica, onde a palavra é o sal preponderante.
O espetáculo tem duas apresentações no Filo, hoje às 19 horas no Teatro Zaqueu de Melo e amanhã, no mesmo local e horário. Ingressos a R$ 10,00 no Cine-Teatro Ouro Verde.

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