''Vamos escrever menina?'' Este era o convite e, ao mesmo tempo, o sinal que Maria José Picazzio aguardava para que, à mão, escrevesse folhas e folhas de um caderno universitário. Ao longo de sete anos foi assim que ela psicografou os três livros da série ''O badalar do sino'', ditado pelo mentor espiritual Cristhopher Bouern. ''Cada vez que ele me convidava, eram cerca de 20 folhas. Ao todo foram 1.500 folhas ou cinco cadernos universitários'', se diverte ao lembrar da produção.
Nascida em Maringá e responsável por um grupo mediúnico, este é o primeiro livro editado da dupla. ''Minha família é toda de Maringá, nasci aqui e é onde eu faço o meu trabalho. Tenho outras histórias, mas esta foi a primeira a ser publicada.'' O livro, diferente de outras obras mediúnicas - como destaca a co-autora - trata de questões comumente divulgadas pela filosofia kardecista, como amor, reencarnação e evolução espiritual, mas sem uma visão dogmática. ''Não há cobrança. O autor explica, não cobra. Ele expõe uma situação comum e vai explicando e enchendo a gente de esperança. Ele escreve muito suavemente'', diz.
Acostumada com outros orientadores espirituais, a relação entre a médium e o autor começou de maneira curiosa. Ela estava no escritório da filha quando ele começou a ditar trechos de uma história. ''Será que estou imaginando coisas?'', questionou acostumada com a máxima bíblica: ''Orai e vigiai''. Mas logo percebeu se tratar de alguém com boas intenções. ''Eu não sabia quem era. Peguei a caneta e comecei a anotar. Ao longo do tempo fomos nos conhecendo e ele se tornou um companheiro. Me ensinou bastante coisa bonita.''
Ao longo dos sete anos que trabalharam juntos - um deles Maria José quase não escreveu, pois estava cuidando de uma colega com saúde debilitada -, ela conta que viveu a história. ''Ele me mostrava cenas, eu ouvia diálogos. Muitas vezes eu estava na história'', lembra emocionada. O marido e a filha dela também acompanharam o processo de produção bem de perto. ''Ele sempre me deu muito apoio e ela fez toda a revisão e transcrição do livro. Além de ter feito todos os desenhos dos personagens, também com orientação mediúnica.''
Autodidata na leitura e escrita - ''Aprendi tudo sozinha. Criei quatro crianças ajudando a minha mãe e não terminei o 1º grau'' -, Maria José se mostra animada com a possibilidade de disseminação do trabalho do seu mentor espiritual. Aliás, cresce a cada dia a divulgação de livros psicografados, que já ganharam espaço em supermercados e até postos de gasolina. ''O mundo está passando por uma fase difícil e as pessoas estão buscando mais conforto e uma verdade maior. Acho que isso tem feito aumentar a leitura de livros mediúnicos.''
Sem revelar as surpresas do livro, ela chama a atenção para a mensagem ensinada. ''Quem ler o livro vai entender que o amor não tem barreiras e é maior que tudo. O Christhopher sempre fala que a morte não separa o amor, porque este é para sempre.''

SERVIÇO:
- O Badalar do Sino - Ódio, amor e evolução (Volume I)
Editora - Ed. Universalista, Londrina, 2007, 318 páginas
Mais informações- Telefone (43) 3029 7057 ou através do e-mail: [email protected].

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