Amor sem fronteiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de maio de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Com o intuito de melhorar campanhas pedagógicas de sensibilização, levando humor a crianças que convivem com a miséria, a guerra e a fome, um grupo de artistas tem se destacado no cenário da educação pela paz. Este trabalho artístico e humanitário vem sendo desenvolvido pelos integrantes do Palhaços Sem Fronteiras, uma organização não-governamental (ONG) de Barcelona, na Espanha, que atua em zonas de exclusão onde as necessidades sociais foram esquecidas.
Com experiências em várias partes do mundo, como El Salvador, Colômbia, Quênia, Cisjordânia e Kosovo, os palhaços estão em Londrina para realizar uma oficina com crianças e educadores do Jardim União da Vitória III (zona sul) e formar agentes culturais na própria comunidade. A atividade, que começa hoje, integra a programação dos Projetos de Maio do Festival Internacional de Londrina (Filo).
O Palhaços Sem Fronteiras foi criado em 1993, a partir da experiência do catalão Jaume Mateu o palhaço Tortell Poltrona em campos de refugiados. Depois de voltar da Bósnia, Poltrona reuniu um grupo de colaboradores e decidiu montar uma organização que atuasse nestes pontos.
Um dos integrantes do projeto, Joan Armengol, que ao lado de Vitor Alvaro atua na área de formação pedagógica, comenta que o grupo chegou à conclusão de que a função da ONG era lógica e interessante, uma vez que amenizava o caos, dando possibilidades de reconstrução. Além de provocar a imaginação e acabar com a apatia, esse trabalho possibilita a chance de saber, ouvir e compreender coisas que, pela desgraça, foram deixadas de lado, diz.
Com o estabelecimento da organização, Armengol conta que começaram a surgir convites para a visita a outras localidades. Hoje temos representantes em vários países, diz. Em breve, o Brasil pode estar ligado a este projeto. A idéia, num segundo momento, é fazer do Filo um braço dessa organização.
No União da Vitória, um grupo de seis palhaços vai trabalhar com 60 crianças de 7 a 14 anos, divididas em duas turmas, e cerca de 10 educadores. A oficina prossegue até o dia 31.
Joan Armengol antecipa que o trabalho será calcado em exercícios de arte e comunicação, envolvendo conhecimento do corpo e espaço, cores e inter-relação. Direcionamos os exercícios para uma educação do corpo. Não para a criança se tornar um palhaço, mas para que a partir da expressão corporal ela realize um autoconhecimento. Colocar a respiração de forma adequada, fazer personagens diferentes, tudo isso é a base do conhecimento individual. Na opinião de Armengol, este exercício pode ajudar a criança a ter uma visão diferente para encarar o mundo em que vive.
Além do trabalho no União da Vitória, Tortell Poltrona se apresentará na programação artística do Filo entre os dias 27 e 29, com o espetáculo Post-Clàssic. Nesta performance, Poltrona atua ao lado do pianista Victor Arman, provocando o espectador o tempo todo, enquanto explora situações que, aparentemente, só um palhaço suportaria. Esta é a função social do palhaço, que, para Poltrona, se traduz em desentranhar as facetas cômicas ou grotescas das situações mais angustiantes.


