"Amor para Todos" conta as aventuras de um soldado na era Napoleônica
São Paulo, 04 (AE) - "Amor para Todos", de Harry Hook, é o típico filme inofensivo. Quem passar quase duas horas acompanhando esta aventura de um soldado da era Napoleônica dificilmente sairá da sala sob o impacto da obra. Mas também não chegará a lamentar o tempo e o dinheiro perdido. A produção, cujo único atrativo no elenco é Miranda Richardson (em uma papel secundário), se preocupa em reunir os elementos imprescindíveis para entreter o espectador padrão: romance, aventura, vingança e um toque espirituoso.
Baseado em romance inacabado de Robert Louis Stevenson (do clássico O Médico e o Monstro), o roteiro assinado por Allan Cubitt se desenrola a partir da captura do soldado St. Ives (Jean Marc Baar), membro da tropa de Napoleão Bonaparte. Na linha anti-herói, o protagonista do tipo mulherengo e encrenqueiro acaba nas mãos dos inimigos, os ingleses.
O soldado vai parar em uma prisão na Escócia, onde conhece uma mulher que promete mudar o seu destino (como em inúmeras outras histórias com final previsível). Devidamente acompanhada da tia (Miranda Richardson), a bela Flora (Anna Friel) não demora muito para se engraçar pelo prisioneiro St. Ives durante uma sessão de visitas na cadeia. Com a mente povoada de fantasias, sobretudo porque se trata de um francês, a jovem arma um plano para ajudá-lo a escapar.
Chega a visitar o avô do rapaz, descobrindo uma tragédia familiar. Os pais de St. Ives foram executados durante a revolução, depois que o próprio filho Alain (Jason Isaacs), irmão mais velho do protagonista, os denunciou - fato que St. Ives desconhece. Preocupado com o avô que está muito velho, o rapaz aceita a ajuda de Flora na fuga e parte na esperança de reunir os últimos membros da família.
Para sua surpresa, o irmão não só não o reconhece como tenta entregá-lo aos ingleses. O conflito consegue aproximar St. Ives de Flora, apesar de a tia da moça desaprovar o romance - pelo menos, a princípio. Os dois passam juntos a enfrentar a guerra e a oposição familiar, seja na Escócia ou na França, para onde o protagonista consegue voltar, a bordo de um balão.
A partir desse ponto, a história caminha obviamente para o final feliz. Vencidos os conflitos, sejam através de duelos de espadas ou de acordos entre países, o par romântico não tem mais desculpas para não ficar junto. Não que o espectador duvide em um único momento do desfecho romântico. Da primeira à última cena, a produção deixa claro sua intenção de entreter a platéia masculina com a ação enquanto faz a feminina torcer pela união do casal. Embora o público não funcione necessariamente a partir dessa lógica, a verdade é que muitas vezes o cinema ainda insiste em tratá-lo assim.





