O que é o amor? Considerado um dos fenômenos mais mutifacetados do repertório dos sentimentos, ele se consagra como a mola propulsora da vida. Seja do ''eros'', palavra grega da qual se deriva a palavra erótico, e significa sentimentos baseados em atração sexual e desejo ardente; seja de ''storgé'' outra palavra grega para amor que é usada mais no sentido de afeição, especialmente com a família e seus membros, que se aproxima do sentido da palavra ''philos'', ou fraternidade e amor recíproco. Mas os gregos também usavam o substantivo ''agapé'' e o verbo correspondente ''agapaó'' para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. É o amor da escolha deliberada. É o amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o sentimento de amor. E é nesse sentido que entra a uma das citações bíblicas mais conhecidas, de autoria do apóstolo Paulo, que diz: ''Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria''.
E se amor é multifacetado, há diversas formas de amar. Há o amor neurótico, o que deu certo e o que tenta dar; o amor que já se transformou em amizade; a paixão que virou amor e o amor que ainda mantém acessa a chama da paixão. O amor que quer casar e outro que amarga a necessidade da separação. E dentro desse universo de encontros e desencontros amorosos, é que se baseia a peça ''Se Não Tivesse Amor'', da Cia. de Teatro Labirinto, que estréia hoje, às 20 horas, na Praça Marechal Floriano Peixoto (ao lado da Catedral), com apresentações diárias até o próximo sábado. O evento é patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), com apoio da Funcart e da Proseg. Formado desde 2002, o grupo é formado por Rosane Brandão Dornelles, Michelle de Almeida, Paulo Salvetti, Luiz Renato Ferreira e José Maria Pereira Júnior (direção geral e produção).
A dramaturgia foi elaborada tendo como referência textos de Lygia Fagundes Telles, Caio Fernando Abreu, Luiz Vilela e Arnaldo Jabor. E o produtor da peça adianta: ''É impossível as pessoas não se identificarem pelo menos com uma das situações amorosas apresentadas''. ''Além de saírem com o desejo de amar'', ele acrescentou.
Do mergulho nesse emaranhado de relações que envolvem o amor, muitas vezes conflitantes, o grupo destacou a importância de se respeitar a própria individualidade antes de buscar o amor do outro. ''Constatamos a importância de manter a própria identidade para se conseguir ser feliz com o outro. Quando as pessoas não estão bem com elas mesmas é uma grande ilusão acharem que estariam melhor com o outro'', destacou José Maria Pereira Júnior.
A escolha de uma praça como local da encenação não foi por acaso. A idéia foi aproveitar um espaço público que tem tudo a ver com a temática do espetáculo. Quantos namoros não começaram em uma praça? E quem sabe o espaço aberto não sugere que para o amor florescer de forma saudável é preciso um coração arejado.
No palco da praça, dois casais vão tornando públicas as suas relações através de nove contos baseados no amor. O cenário especialmente criado pela artista plástica Letícia Marques também brinca com essa situação. Em círculo de linóleo (material à base de borracha) de 11 metros de diâmetro, os atores se revezam em pontos definidos para situaçõe reais e da ficção. As malas também são destaques como objetos cênicos. Em cada história narrada, malas que guardam, além dos objetos usados para a cena, um pouco da história de cada homem e mulher envolvidos na trama. A trilha musical foi desenvolvida pela musicista Janete El Haouli e traz um recorte sonoro repleto de canções melódicas, românticas, canções de época e até de dor-de-cotovelo. A preparação corporal e as coreografias são de Cláudio de Souza, do Ballet de Londrina.

Serviço:
- Estréia da peça ''Se Não Tivesse Amor'', da Cia. de Teatro Labirinto. Hoje, às 20 horas. Praça Marechal Floriano Peixoto (ao lado da Catedral). Entrada franca. Apresentações diárias até domingo. Hoje, às 18 horas, também haverá no local apresentação da peça ''Nojo'', da Falsa Cia. de Teatro.

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